Revelados os últimos nomes para o Festival MED

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Hańba!, da Polónia, e Ifriqiyya Electrique, da Tunísia, são os dois últimos nomes que vão integrar o 15.º Festival MED. O cartaz oficial do evento foi apresentado no passado sábado, no Cine-Teatro Louletano, com Raquel Bulha (SIC) e Edgar Canelas (Antena 1) a conduzirem a sessão com muitas novidades e que contou com um espetáculo protagonizado por Omiri.

Pela primeira vez na história do MED a Polónia vai estar representada, e logo ao mais alto nível. Hańba! é um conceito ousado: imaginar que, no período entre Guerras, quando os movimentos fascistas na Europa cresceram em força, os trabalhadores alcançaram não apenas armas, mas também instrumentos musicais. A sua indignação produziu um punk rock tocado em acordeão, banjo, tuba e um tambor. Hańba! (que se traduz em Desgraça!) foi descrito como cabaret folk. Mas não é só isso. Hańba! é uma banda com uma mensagem forte e sincera, que é reforçada pela sua forma old school, mas ainda muito válida nos tempos contemporâneos.

Da Tunísia para Loulé, Ifriqiyya Electrique inspira-se no ritual de culto de Banga dos antigos escravos Haoussa da África Negra, estabelecidos na Tunísia às portas do Sahara. Os espíritos comunicam com computadores e guitarras elétricas para recompor este ritual ancestral, ilustrado por imagens hipnotizantes projetadas ao vivo para que o público se perca e grite com os seguidores do Banga.

Os espíritos possuem os corpos, pedem para se nutrir de uma música com a evidente modernidade. Entre o deserto salgado e oásis do sul da Tunísia, François R. Cambuzat e Gianna Greco perderam-se durante  meses, gravando e filmando por mais de 300 horas, trabalhando e compondo com os músicos de Banga, para um ritual de adoração e pós-guerra industrial único. Será, com certeza, um espetáculo que irá hipnotizar a Zona Histórica de Loulé.

Omiri na apresentação oficial do cartaz do MED

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57 atuações e 78 horas de música

Para além destas duas confirmações, irão atuar nos três palcos principais – Matriz, Cerca e Castelo – as seguintes bandas e artistas: Gato Preto (Gana/Moçambique/Portugal), Asian Dub Foundation (Reino Unido), 47 Soul (Palestina), Bonga (Angola), Los Milros (Peru), Sampladélicos DJ Set (Portugal), Teresa Salgueiro (Portugal), Ricardo Martins (Portugal), Hanba (Polónia), Ridding a Meteor (Portugal), Melech Mechaya (Portugal), Bruno Pernadas (Portugal), Metá Metá (Brasil), Bitori feat. Chando Graciosa (Cabo Verde), Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde), Irmãos Makossa DJ Set (Portugal), Selecta Alice DJ Set (Portugal), Tribali (Malta), Dub Inc (França), Ifriqiyya Electrique (Tunísia), Gaiteiros de Lisboa (Portugal), La Pegatina (Espanha), Vurro (Espanha), Sam Alone&The Gravediggers (Portrugal), Miguel Araújo (Portugal), Morgane JI (Reunião) e Orelha Negra (Portugal).

Este ano serão 78 horas de música divididas por 57 bandas, mais de 250 músicos de 18 países dos quatro cantos do mundo, alguns deles em estreia absoluta como a Ilha da Reunião ou a Polónia.

Vencedor dos Iberian Festival Awards na categoria de Melhor Festival de Média Dimensão da Península Ibérica, pelo segundo ano consecutivo, e de Melhor Promoção Turística em festivais realizados em Portugal, o Festival MED dá a conhecer não apenas a música e uma fusão de manifestações culturais que vão das Artes Plásticas ao Teatro, Cinema, Poesia, Animação de Rua, Artesanato ou Gastronomia, mas também o palco natural da Zona Histórica de Loulé, com toda a sua riqueza patrimonial e com as características perfeitas para viver a cultura do Mediterrâneo.

Ao longo dos anos, já passaram pelo Festival MED 500 bandas em representação de 45 países como Mali, Síria, Finlândia Estados Unidos, Cuba, Bósnia, Israel, Angola, Moçambique, Brasil, Espana, Peru, Chile, Japão.

Buena Vista Social Club, Balkan Beat Box, Goran Bregovic, Solomon Burke, Amadou&Mariam, Kimmo Pohjonen, Bajofondo Tango Club, Fanfare Ciocarlia ou Dubioza Kolektiv foram alguns dos nomes da World Music que já passaram por este palco louletano.

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O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, salientou a importância do MED enquanto momento de fruição mas também do ponto de vista da dinamização turística e económica.

“Loulé é conhecido em todo o país e em diversos países da Europa de onde vêm turistas muito especialmente para se divertirem e participarem no Festival MED. Este evento é também importante do ponto de vista da economia local porque permite um bom encaixe financeiro para a restauração e hotelaria local. Estamos perante uma oferta no segmento do entretenimento de qualidade, da cultura, que é do maior interesse para a cidade de Loulé e para a nossa região”, ressalvou o autarca.

Refira-se que durante esta noite, o público teve a oportunidade de assistir àquela que será a primeira confirmação do cartaz do Festival MED para 2019: Omiri. Considerado um dos mais originais projetos de reinvenção da música tradicional portuguesa, o músico conseguiu pôr de pé – e a dançar – os espetadores que vieram a esta sala de espetáculos. Numa sincronização surpreendente de formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana, a juntar-se a esta festa esteve ainda Celina da Piedade, que também já pisou o palco do MED em 2015, acompanhada pelo seu acordeão e uma voz que canta o sul como poucos.

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