Margarida Tengarrinha lança novo livro em Portimão

“Memórias de uma Falsificadora” apresentadas no museu

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No próximo sábado, dia 17 de março, às 17h00, realiza-se no museu de Portimão a cerimónia de lançamento do livro “Memórias de uma Falsificadora”, da autoria de Margarida Tengarrinha. A apresentação da obra estará a cargo de Maria João Raminhos e António Feu.

Na sinopse do livro, Margarida Tengarrinha escreve: “Éramos jovens e queríamos um mundo melhor, num Portugal onde grassava a miséria, dominado por um pequeno grupo de grandes financeiros, monopolistas e latifundiários. Éramos jovens e queríamos a liberdade, pois abafávamos num Portugal dominado por todos os medos: a censura omnipresente cortava notícias dos jornais, impedia peças de teatro, proibia a publicação de livros pela grelha estreita de um index tão feroz quanto o da velha Inquisição; a polícia política era uma sinistra aranha que, desde o covil das torturas na rua António Maria Cardoso em Lisboa e na rua do Heroísmo, no Porto, estendia a sua teia pelas cidades e aldeias, pelas fábricas e empresas, as escolas e os quartéis, alargando-se por uma rede de informadores e bufos que eram os seus olhos e ouvidos: a PIDE podia prender, torturar e matar impunemente e tinha ainda uma outra arma mais discreta e não menos eficaz, tirar o pão ao adversário”.

Uma vida atribulada

Margarida Tengarrinha nasceu em Portimão, em 7 de maio de 1928.

Iniciou a sua atividade política organizada em 1948, integrada no MUD Juvenil, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL).

Em meados de 1952 foi expulsa da ESBAL, proibida de frequentar todas as faculdades do país e impedida de lecionar na escola preparatória Paula Vicente, onde era professora, pela sua ativa participação na luta pela paz, pelo desarmamento atómico e contra a reunião ministerial da NATO em Lisboa. Nesse ano tornou-se militante do PCP.

Em 1955 passou à militância clandestina do PCP com o seu companheiro José Dias Coelho, que foi assassinado a tiro pela PIDE em 19 de dezembro de 1961.

De 1962 a 1968 trabalhou com Álvaro Cunhal e depois como redatora da Rádio Portugal Livre.

Depois do 25 de Abril foi membro do comité central do PCP e deputada do PCP pelo Algarve.

Em 2014 recebeu o Prémio Maria Veleda da Direção Regional de Cultura do Algarve.

É autora dos livros “Samora Barros, pintor do Algarve”, editado pela Região do Turismo do Algarve; “Da Memória do Povo – recolha da tradição oral do concelho de Portimão”, editado pela editora Colibri com o apoio da Câmara Municipal de Portimão; e “Quadros da memória”, editado pela editorial Avante!.

Continua a ser professora de História da Arte na Universidade Sénior de Portimão.

JA

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