VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O XII Encontro da Associação Internacional de Cidades e Entidades do Iluminismo (AICEI) decorreu este ano na cidade de Cartagena sobre o lema: “Cidades Iluministas – Reformismo e transformação Urbana“ num programa intenso, rico de conteúdo e excelentemente organizado pelo departamento de Cultura do Município de Cartagena.

A cidade voltada ao Mediterrâneo e nesse sentido ocupando um território estratégico, tem hoje um pouco mais de 200.000 habitantes. Fundada pelos cartagineses há mais de 3.000 anos foi ocupada ao longo de séculos por diversos povos e etnias, fenícios, romanos, muçulmanos, até à estabilização e valorização por Carlos!!! Monarca reformista no esplendor do século XVIII, tão reformista como absolutista.

A cidade intitula-se hoje como Porto de Culturas sendo visível o investimento que ao longo dos últimos anos de forma sistemática se dedicaram não só à descoberta e valorização do seu património histórico. Cujo exemplo maior tenha sido a descoberta de um anfiteatro romano hoje visitável, num percurso que se iniciou em 2001 e terminou em 2010, sem vacilações com firmeza porque determinaram que a valorização do seu património histórico convertendo o passado no futuro se transformaria no seu principal apelo na transformação económica que a cidade viveu nas últimas décadas.

Centro histórico reservado na sua maior parte aos cidadãos, avenidas marginais ao Mediterrâneo, convidando ao passeio, ao descanso, usufruindo de uma paisagem única. Assim está reconvertida a nova Cartagena numa cidade moderna na qual convivem sem conflito a sua história milenar com a nova arquitectura que a compõem e lhe emprestam a modernidade da qual vivem.

Nesse sentido o conteúdo dos debates que foram organizados paralelamente ao encontro dos sócios e cooperantes da AICEI foi de facto bastante frutuoso.

No que respeita às decisões tomadas na Assembleia de sócios cumpre relevar que o município de VRSA foi de novo eleito por unanimidade e com fortes elogios pelo trabalho até então realizado para um novo mandato de três anos como presidente executivo da Associação, cabendo-lhe não só a sua gestão diária mas igualmente a sua expansão e organização do próximo encontro agendado para Coimbra em Outubro próximo.

Num Encontro no qual participam representantes de diversos municípios, universidades e cooperantes de várias instituições era incontornável que a questão Catalã não fosse temas de assunto nos intervalos de comidas e convívios posteriores ao decorrer normal do Encontro, tanto mais que estavam em presença vários habitantes da Catalunha: Presidentes de Municípios, Reitor da Universidade de Leida e simultaneamente presidente da Comissão de Reitores de todas universidades de Espanha, bem como técnicos responsáveis por um gabinete que dedica a gerir a Paisagem Urbana de Barcelona.

De todas as conversas que privilegiadamente tive oportunidade de ter com tão qualificados interventores no conflito retirei não a conclusão, mas a observação, que a sociedade catalã estará eventualmente divida ao meio com uma percentagem quiçá significativa que não deseja a independência e se assim for os habitantes de Catalunha têm de se confrontar com uma nova vida se tal for o resultado do extremismo a que se chegou porque a derrota a acontecer vai ter como consequência a humilhação para as próximas décadas.


NB: Defendo que o aeroporto de Faro se passe a chamar
aeroporto do Algarve Manuel Teixeira Gomes

Carlos Figueira
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