VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Quando a edição desta semana do JA chegar aos leitores, estaremos num tempo prestes a finalizar a campanha das eleições autárquicas o que pode significar que as decisões do eleitorado já estão assumidas faltando, a meu ver, um forte apelo de toda a gente para combater a abstenção daqueles  que já dão como ganho o seu candidato e outros por desinteresse podem faltar à chamada de um dever cívico, enfraquecendo assim os fundamentos de um estado democrático no qual o voto livre dos cidadãos representa um papel insubstituível.

Nesta parte final o discurso do centro direita e da direita têm-se centrado mais em questões em torno de “casos“ foi assim sobre a aplicação dos dinheiros resultantes dos incêndios, “factos“ que prontamente deixaram de ser notícia quer pelas explicações dadas pelas várias instituições envolvidas, quer pelo próprio governo e, mais recentemente, em torno de um relatório sobre o desaparecimento de armas em Tancos, cuja origem e veracidade estão colocados em causa. Percebem-se as dificuldades de tal posicionamento político, porque no horizonte pode estar a ser desenhado um resultado sombrio para a direita e o centro direita, sobretudo se tal se verificar em torno de capitais de distrito porque, se assim for, haverá razões para extrapolar tais resultados para as próximas eleições legislativas.

Num quadro no qual Lisboa e Porto centrarão as atenções maiores na noite e nos dias seguintes e, se tudo aponta para que em Lisboa o fundamental esteja decidido (vamos ver se tal se confirma) com a vitória de Medina, sobra a curiosidade de sabermos se Assunção Cristas fica ou não à frente da candidata do PSD que, independentemente das muitas outras qualidades que se lhe reconhecem, não parece muito dotada para as funções para que foi empurrada.

Quanto ao Porto o que desde muito cedo era tido como um caminho fácil, totalmente em aberto, para a reposição de um novo mandato do actual presidente, tido como independente, com o afastamento do PS da governação da cidade, situação ampliada em torno de uma disputa em torno da propriedade de terrenos, nos quais a família do atual presidente estaria envolvida e sobretudo com uma forte afirmação da candidatura do PS, ampliada com acordos firmados à esquerda, tornaram mais sombrios os sinais de vitórias antecipadas, com a vantagem de se ter tornado claro que o atual presidente de independente pouco tinha revelando-se como um, senão membro, pelos menos adepto do CDS/PP, em cujas listas pelos vistos pululam membros do Partido de Assunção Cristas. A anunciada presença de Costa no encerramento de campanha no Porto é um sinal claro de que se pode operar uma mudança política na gestão da cidade o que constituiria um dado político de enorme significado, ou seja, a direita a perder a gestão das duas maiores cidades do País.

Regressando ao Algarve com tudo o que uma opinião antecipada de resultados eleitorais pode ter de subjectivismo, arrisco a afirmar que não antevejo grandes mudanças quanto às forças políticas que dirigem os diversos concelhos. A dúvida maior situa-se em Castro Marim onde ocorre a situação particularíssima de se apresentarem duas listas do mesmo espectro político e tal circunstância poder beneficiar a candidata do PS. É neste momento o único caso de dúvida que me ocorre já que em VRSA, apesar da mudança de candidato à presidência, o tempo parece correr a favor da atual candidata.

[email protected]

Carlos Figueira

You must be logged in to post a comment Login