SMS: Bendita sois Maria Veleda entre as mulheres

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Não, não é parte de oração conhecida, mas ato de justiça com memória – Bendita sois vós Maria Veleda entre as mulheres. Farense de gema, foi uma das principais líderes do primeiro movimento feminista português quando as mulheres eram consideradas apenas uns seres de quem se esperava apenas os frutos dos seus ventres e nada ou pouco mais. O direito ao voto por entre outros direitos cívicos e políticos em igualdade com os homens, não fazia parte do estatuto desses seres. Maria Veleda, pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim, levou a vida a lutar precisamente pelos direitos das mulheres, pela educação das crianças, e, logicamente para a sua época, pelos ideais republicanos que tanto republicano escamoteava. Nasceu em ano próximo de outra grande figura algarvia, Lutgarda Guimarães de Caires, a quem se deve a abolição da máscara penitenciária e do regime de silêncio nas prisões, instrumentos que colocavam os presídios portuguesas nos tempos medievais, além de ter sido a criadora da iniciativa Natal dos Hospitais que hoje perdura, embora a RTP não se lembre disso.

Em boa hora, a Direção Regional de Cultura do Algarve instituiu o Prémio Regional Maria Veleda. Com esta iniciativa criada em 2014, visa-se assumidamente “destacar e reconhecer o mérito de personalidades algarvias cujo longo percurso cultural e cívico as tenha revelado como protagonistas de intervenções particularmente relevantes e inovadoras na Região”. Além disso, contempla também promotores de projetos e atividades que se enquadrem nos temas da igualdade de género, da cidadania e da não discriminação. Neste ano de 2017, o prémio vai ser atribuído pela terceira vez (em 2015, as candidaturas então propostas não foram consideradas com enquadramento).

O Prémio Maria Veleda ganhou inegavelmente prestígio na Região e no País, independentemente da sua baixa importância pecuniária, suscitando que muitos, surpreendidos pela estranheza do nome da patrona, tenham procurado saber quem foi essa mulher e se tal se justificava. A justiça da memória parece que desta vez funcionou e Maria Carolina Frederico Crispim foi sem dúvida a primeira premiada sem intervenção de qualquer júri e sem se auto propor, coisa que o regulamento do prémio interdita. Temos, portanto, Maria Veleda viva a memória , num Algarve que precisa como de pão para a boca, de quem defenda aqui e a sério, a igualdade entre homens e mulheres, a não discriminação, e tudo o que a cultura cívica tem como condição. É um prémio de cidadania e em nome de tal prémio, bendita sois vós Maria Veleda, entre as mulheres e entre os homens, para não haver discriminações com na oração.

Flagrante aviso antes que seja tarde: O deputado algarvio Paulo Sá não questionou apenas o Governo sobre o modelo dos voos low cost qundo surje como “esquema fraudulento”, mas lançou verdadeiro aviso e quem me avisa bem-me-quer. Cada vez mais gente vai sabendo que o modelo low cost é de alto custo para a saúde. Que os médicos descolem e falem.

Carlos Albino

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