Por que estão em LUTA os educadores e professores das escolas públicas?

OPINIÃO | ANA SIMÕES

Na preparação do Orçamento do Estado (OE) para 2018 é preciso não esquecer que os Docentes, tal como todos os funcionários públicos, contribuíram com o seu trabalho e o seu salário para a saída da proclamada crise que o país atravessou nos últimos anos.
Com a correlação de forças criada na Assembleia da República (AR), considerámos que com o governo do PS de António Costa estaríamos com condições para recuperar os direitos retirados com as políticas de direita.
A redução drástica forçada do número de Professores nos últimos anos, o aumento, cada vez menos suportável, dos horários de trabalho e as inúmeras tarefas burocráticas, que nada têm a ver com a sua função principal, que é ensinar/dar aulas, levaram os professores à beira da rutura.
Os Professores trabalham em média 46 horas por semana, o que é inaceitável quando têm direito a um horário de trabalho de 35 horas semanais como qualquer outro trabalhador do setor público.
É por estas razões que os Professores lutam por condições de trabalho com um horário de trabalho digno que os respeite como seres humanos com vida profissional mas, também, com vida pessoal e familiar.
A escola existe porque existem alunos mas sem Professores motivados, atualizados e com capacidade física e psíquica não há escola eficaz e não há aprendizagens sociais e científicas, que todos merecem.
Com a idade da reforma a aumentar, os Professores, a exercerem uma profissão desgastante a nível intelectual, não estão a conseguir aguentar o ritmo de trabalho alucinante a que estão sujeitos para dar as respostas necessárias aos cerca de 25 a 30 alunos (em cada turma, e, por vezes, são cerca de 10 turmas a lecionar) que têm à sua frente.
A diferença de idade, cada vez mais acentuada, entre professores e alunos não é desejável para a qualidade do ensino.
É por estas razões que os professores lutam por um regime especial de aposentação.
Um professor pode num ano estar no norte do país, no outro no sul, no outro só trabalhar 6 meses e no outro até pode não trabalhar… Esta é a realidade de milhares de professores que começaram a dar aulas há 10, 15, 20 ou mais anos, ocupando, ano após ano, postos de trabalho necessários e que, por isso, deveriam ser lugares efetivos e permanentes.
Um trabalhador, seja ele qual for, é mais proveitoso se tiver estabilidade profissional para sentir que vale a pena investir na sua escola num trabalho de continuidade com os seus alunos, bem como conseguir ter estabilidade pessoal e familiar. Sem esta estabilidade, perdem os professores, as famílias e os alunos.
É por estas razões que os Professores lutam pela abertura de lugares do quadro nas escolas para a sua estabilidade profissional.
A escola é a base fundamental de uma sociedade. É na escola que se formam os futuros cidadãos adultos que irão contribuir para construir uma sociedade moderna, justa, democrática e inclusiva.
Os Professores são peças fundamentais do puzzle social, sem eles não há construção social. É, também, com os Educadores e Professores que as nossas crianças e jovens crescem em conhecimento, responsabilidade e dignidade.
Os Professores, desde há vários anos, têm vindo a sofrer a desvalorização social da sua profissão. O respeito que a profissão merece tem que voltar a ser reconhecido pela sociedade. Um professor valorizado é um professor mais motivado, logo um melhor profissional.
Temos ouvido recentemente que Portugal reduziu o défice e cresceu economicamente.
Esta realidade tem que se refletir na melhoria das condições de vida dos trabalhadores para conseguir suportar o aumento do custo de vida.
Os Professores têm as suas progressões na carreira “congeladas” há mais de 9 anos, sem aumentos salariais e sem valorização e reconhecimento da profissão.
É por razões que os Professores lutam pelo descongelamento da sua carreira e respetivas progressões em janeiro de 2018, tal como foi anunciado pelo governo, admitindo já o adiamento de 2017 para 2018.
É por todas estas razões que os Educadores e Professores das escolas públicas vão fazer Greve no dia 21 de Junho!

*Sindicato dos Professores da Zona Sul
Ana Simões

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