Imigrante sueca quer treinar cães abandonados para ajudarem deficientes

Karin Foster e Fred

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Projeto arrancou com o treino de dois cães, em Inglaterra, mas o objetivo é avançar com este tipo de treinos na região algarvia recorrendo a animas que possuam as características necessárias. A ideia já foi lançada, mas ainda faltam apoios para concretizar o projeto na região algarvia

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Chama-se Karin Holmström Forster, é sueca, está no Algarve há 18 anos e é especialista em comportamento canino e treinadora de cães de assistência. Agora, pretende iniciar um projeto de treino de cães-guia na região do Algarve, aproveitando animais que estejam para adoção.

“Tendo trabalhado toda a minha vida com pessoas, nas áreas da saúde e reabilitação e, mais recentemente, com cães e os seus donos, sinto que o meu maior contributo para a sociedade será dando independência e um amigo a alguém que, de outra forma, poderá não conseguir sair de sua casa”, considera.

A sua visão para este projeto tem várias especificidades, que Karin explica: “Ao invés de criar cães de uma raça específica, pretendo treinar cães que se encontrem para adoção e que possuem as características necessárias, dando-lhes uma função e um papel que lhes permita ajudar os deficientes motores a conseguirem uma melhor integração na sociedade.”

Karin tem uma vasta experiência, como treinadora de cães de assistência, na preparação destes animais para realizar ambas as funções, ou seja, as de cão-guia e de cão de assistência. Um cão treinado para esta última função pode alertar para a toma de medicação ou para a realização de outras tarefas, por exemplo para apoio a um deficiente motor que se encontre confinado a uma cadeira de rodas.

Esta especialista pretende treinar seis a oito cães por ano e, para isso, procura parceiros que possam apoiar a Pawsitive Dogs Algarve e tornar realidade “um projeto que será único na região” e que “pode ter um enorme impacto na vida de inúmeros deficientes visuais na região e no sul do país”, assegura.

Além do apoio financeiro, essencial à sustentabilidade de um projeto desta natureza, Karin procura parceiros na área da medicina veterinária e da farmácia, assim como de alimentação animal, por isso, diz que “está ao alcance de todos a possibilidade de contribuir para a concretização deste projeto com um profundo impacto social”.

Dois cães já iniciaram treino

No passado dia 21 de agosto, Karin deu a conhecer o novo projeto dando início ao treino de dois cães-guia, os quais, no início de 2018, serão entregues a dois jovens deficientes visuais residentes no Algarve.

Karin e os seus dois cães começaram o treino em Devon, na Inglaterra, com Alan Brooks, um dos mais experientes treinadores britânicos de cães-guia, com vários artigos e livros editados. Neste período de treino, que terá a duração de 12 semanas, cada cão tem duas sessões de treino diárias. Além desta componente prática, Karin tem de realizar um intenso trabalho teórico, composto por leituras de artigos e visualização de vídeos sobre treino de cães-guia e bem-estar animal.

Abbe tem 15 meses, é um whippet cruzado com caniche e “tem registado um desempenho tão bom, que está a evoluir no seu treino mais rapidamente do que o previsto”, conta. Fred é um jovem labrador, que iniciou o seu treino com apenas sete meses e que “tendo em conta a sua idade, está a evoluir acima do expectável, apesar de precisar de continuar o seu treino intensivo, após regressar ao Algarve”.

Uma realidade diferente lá fora

Na sua estadia em Inglaterra, Karin pode constatar a diferença entre a integração dos deficientes visuais em Portugal e naquele país. Todos os dias, tem a oportunidade de ver três a quatro deficientes visuais a circular nas ruas com o apoio da sua bengala, cães-guia ou guias humanos.

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Karin explica que nas cidades “há passadeiras com aviso sonoro e passadeiras com textura que ajudam os deficientes visuais a saber onde têm de atravessar” e acrescenta ainda que “o sistema nacional de saúde suporta os custos de tratamento e equipamento necessários” garantindo a autonomia de quem precisa. “Ser cego não é sinónimo de ficar confinado a casa”, defende.

E é precisamente com base nas competências e na experiência obtidas no seu treino com Alan Brooks, que a Pawsitive Dogs Algarve pretende iniciar o referido projeto de treino de cães-guia na região do Algarve.

Nascida na Suécia, Karin tem construído um percurso que tem como principal foco a reabilitação. Já foi enfermeira, terapeuta, tem formação em cinesiologia e ainda hoje é instrutora de ‘pilates’.

Quando passou a dedicar-se à comunidade canina, procurou aumentar o seu conhecimento e frequentou cursos e seminários intensivos com profissionais de renome nesta área: Karen Pryor, nos EUA, Fernando Silva, em Portugal, Audrey Finns e Gary Landsberg, nos EUA, Cilla Danielsson, na Suécia, Victoria Stillwell, no Reino Unido, Grisha Stewart e Ian Dunbar, nos EUA. Todos eles conceituados especialistas em comportamento canino, reconhecidos na sua área de especialidade. Karin está presentemente a concluir um curso em Etologia (comportamento animal) e Comportamento e Cognição Canina na Universidade de Linkoping, na Suécia.

Atualmente, Karin forma novos instrutores, tanto na Suécia como no Algarve. Na sua empresa sedeada no Algarve, a Pawsitive Dogs, treina cães e os seus humanos e dá apoio a questões comportamentais destes animais.

Sendo uma especialista na sua área, Karin procura promover o bem-estar dos cães e é frequentemente convidada para ser oradora em eventos sobre esta temática. Recentemente foi uma das convidadas do seminário sobre crueldade animal, promovido pela Safer Communities Portugal. A realização deste evento levou à constituição de um grupo, que congrega abrigos e cidadãos, na procura de mais informação e assistência para questões relacionadas com o bem-estar animal.

Através do seu amor pelos cães e com o objetivo de poder fazer a diferença, Karin tornou-se treinadora de cães de assistência e esteve envolvida na constituição da Alertalegria – Associação Internacional de Cães de Assistência.

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