EN 125: clarificar responsabilidades, exigir soluções!

OPINIÃO | PAULO SÁ

As obras de requalificação da EN 125 arrastam-se penosamente há longos anos, não tendo sequer começado nos troços que vão de Vila Real de Santo António a Olhão. Por outro lado, a introdução de portagens na Via do Infante, agravou as condições de circulação na EN 125, impondo um verdadeiro calvário a quem tem de circular diariamente por este eixo rodoviário.
Esta situação suscita um justíssimo sentimento de indignação nas populações e torna cada vez mais premente a exigência da rápida conclusão das obras de requalificação da EN 125 e da imediata abolição das portagens na Via do Infante.
Mas a expressão dessa indignação e a afirmação dessa exigência não podem nem devem ser acompanhadas pelo branqueamento das opções de PS, PSD e CDS que ditaram o atraso nas obras da EN 125 e introdução de portagens na Via do Infante. Na realidade, só a denúncia e a consequente rejeição dessas opções é que permitirá ultrapassar os bloqueios atual5mente existentes.
Responsabilizar indiferenciadamente todos os partidos e todos os políticos pela situação a que se chegou no Algarve ao nível da mobilidade rodoviária, metendo-os a todos no mesmo saco, traduz-se num efetivo branqueamento das responsabilidades de PS, PSD e CDS e dificulta a resolução do problema.
Não se pode meter no mesmo saco quem, como o PS, PSD e CDS, defende a manutenção das parcerias público-privadas rodoviárias na EN 125 e na Via do Infante e quem, como o PCP, denuncia a natureza ruinosa dessas parcerias e exige a sua extinção.
Não se pode meter no mesmo saco quem, como o PSD e CDS, suspendeu as obras de requalificação da EN 125 durante três anos e quem, como o PCP, desde o primeiro momento denunciou essa opção e lutou para que essas obras pudessem ser retomadas e concluídas com celeridade.
Não se pode meter no mesmo saco quem, como o PS, condiciona o ritmo das obras de requalificação da EN 125 à opção de redução acelerada do défice orçamental e quem, como o PCP, rejeita esse caminho e defende uma rutura com os condicionalismos e constrangimentos impostos pela União Europeia de modo a possibilitar uma resposta adequada aos problemas do país.
Não se pode meter no mesmo saco quem, como o PCP, propôs na Assembleia da República a abolição das portagens mais de dez vezes, e quem, como o PS, PSD e CDS, chumbou sempre essas propostas.
É um facto inquestionável que os comunistas têm desenvolvido uma contínua e intensa luta pela abolição das portagens na Via do Infante e pela conclusão das obras de requalificação da EN 125.
No passado dia 19 de fevereiro, apresentámos na Assembleia da República um Projeto de Resolução intitulado “Pela abolição das portagens na Via do Infante e rápida conclusão das obras de requalificação na EN 125”.
Mas como os problemas de mobilidade na região algarvia não se restringem apenas ao modo rodoviário, o PCP apresentou também projetos de resolução sobre o transporte ferroviário (já aprovado) e sobre a atividade portuária e aeroportuária na região algarvia (aguardam discussão e votação).
Estas propostas do PCP dão resposta aos anseios das populações e dos agentes económicos, contribuem para a melhoria da mobilidade na região e para a dinamização da economia regional. São propostas fundamentais para o desenvolvimento do Algarve, cuja concretização não pode continuar a ser adiada!

 

Paulo Sá
 *(Deputado do PCP na Assembleia da República)