CRÓNICA DE FARO: “Sem um cêntimo do erário público”

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Lê-se no bem elaborado e minunciosamente documentado “Relatório e Contas do Exercício de 2016” da AEDMADA (Associação para o Estudo da Diabetes Mellitus e de Apoio ao Diabético do Algarve), aprovado por unanimidade e aclamação na última Assembleia Geral, onde se evidencia a meritória ação desenvolvida desde 2006, em que foi fundada esta benemérita instituição por um dedicado grupo liderado por essa dedicação maior, que é o seu presidente diretivo e conceituado especialista Dr. Eurico Gomes.
É que não obstante toda a dedicação, empenho e competência revelados perante a avassaladora doença, que é considerada a “pandemia do século XXI” um único cêntimo das entidades responsáveis pela saúde entre nós, quer ao nível nacional como regional, deu o seu necessário e merecido contributo para o esforço no quotidiano desenvolvido e que permite uma atuação credora do mais vivo apreço.
Hoje, com a centena de associados, de todo o Algarve mas maioritariamente radicados em Faro, onde a Aedmada tem a sua sede no bairro da Atalaia, em frente à delegação do Banco Alimentar, os seus escassos recursos aguardam de há que seja reconhecida a sua missão, da maior relevância, neste setor da saúde que, em expressão avassaladora, todos os dias regista um crescente de novos casos, sem olhar a idades ou condições sociais.
É de toda a justiça e indesmentível verdade que há sete anos (fazendo-nos lembrar este tempo o soneto camoniano bem conhecido) se aguarda pela assinatura da contratualização em que a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARSA) reconhece o fundamental apoio a este serviço de verdadeira saúde pública, como noutras áreas o tem feito. Parece-nos um tempo excessivo em que nem a Aedmada nem os doentes com diabetes do Algarve podem esperar perante tal delonga e que se espera, muito em breve, como o é da mais flagrante justiça, equidade e reconhecimento dos verdadeiros objetivos, seja ultimado.
Recorda-se, a propósito, porque é necessário e conveniente sempre o relembrar que a AEDMADA é uma IPSS (Instituição Privada de Solidariedade Social) para a área da saúde, que tem como missão principal o estudo da diabetes mellitus e o apoio social e humano ao doente diabético da nossa região e que tem como principais objetivos: divulgar a diabetes mellitus como doença crónica; alertar para a necessidade do diagnóstico precoce; apostar na prevenção e no tratamento de modo protelar ou evitar maiores e mais graves complicações; realizar ações de formação profissional na sua área, destinadas a quadros técnicos e científicos; facultar todo o apoio possível de ordem médico-clínica, de reabilitação e de integração social ao doente diabético; promover estudos e proceder a investigação clínico-científica e organizar debates, seminários, congressos, etc., relativos à já apelidada “pandemia do nosso século”.

João Leal

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