CRÓNICA DE FARO: O centenário dos “hangares”

OPINIÃO | JOÃO LEAL

No final do passado mês de Agosto assinalou-se, com a merecida pompa e circunstância, o centenário da instalação na zona central da Ilha do Farol de Santa Maria, entre este aglomerado populacional ilhéu e o da Culatra, da Base de Marinha de Guerra como logística dos Aliados ao terrível conflito que não enlutava o mundo – a I Grande Guerra (1914/1918). Terminada esta sangrenta peleja, que tantos milhões de vítimas causou o local, em cujo fronteiro Mar Largo, em plena Ria Formosa, pousavam dezenas de hidroaviões, continuou a ser utilizado pela Marinha Portuguesa e formou-se uma aldeia de pescadores, viveiristas e mariscadores com identidade própria e um sentido de vivência que muito definiam os hangares. Presta-se desde já o tributo da nossa mais merecida e sentida homenagem à memória dessa lendária figura, que foi talvez o primeiro hangaressemo, o para sempre saudoso conhecido por “Manel Lobisomem” como de seu filho, o mais velho habitante do local, sr. Vitorino Neves e a plêiade de descendentes, dos quais destaco por uma questão afectiva, o jornalista Manuel Luís (“O Repórter da Cidade”, um amigo de sempre, como o dedicado presidente da Associação dos Moradores dos Hangares, sr. José Lézinho, que à causa dos problemas locais tem votado um desvelado interesse. Este centenário dos hangares, que chegou a ter anunciada a visita do mais alto magistrado da nação, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, contou com a presença do Chefe de Estado Maior da Marinha e do secretário de Estado da Defesa Nacional, Dr. Marcos Perestrelo, bem como de outras destacadas individualidades, num dia ímpar para a história dos hangares.
Gente humilde, heróica e hospitaleira, que lavra a terra fertilíssima da Ria Formosa com o engenho do seu saber, esforço e pertinácia, viu agora concretizadas algumas das suas legítimas e ancestrais aspirações, entre as quais a plena e livre utilização do cais de aportagem das suas embarcações, já que o era exclusivo o cais para os barcos das Forças Armadas tendo vezes sem conta que calcorrear sobre o areal desde o Foral até ao Núcleo com pesados fardas de quanto é necessário para o viver de cada dia.

João Leal

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