CRÓNICA DE FARO: Na lembrança do Engº. Luís Guerreiro a nossa profunda saudade

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Não será displicente, mas um gesto da mais essencial justiça, dedicar esta “Crónica”, um espaço objectivamente votado à capital sulina, à devida homenagem à memória viva e saudade presente de quem foi um dos algarvios mais dedicados à região mãe, à qual prestou os mais assinalados serviços. O eng. Luís Guerreiro, como por todos era com afetividade tratado ou referido, era um devoto louletano, condição que muito o honrava e defendia, mas sem esquecer ou minimizar os interesses maiores do Algarve, a sua promoção, valorização e engrandecimento. Vítima de pertinaz e prolongada doença veio a falecer no Hospital de Faro, aos 56 anos (nascera em Querença a 14 de setembro de 1960) e era licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, mas há muito que, conforme foi referido num texto em sua lembrança, “que tinha tocado os números pelas letras”. Por tal razão o sempre saudoso mestre, esse portuense por nascimento, mas louletano e algarvio por opção, o mestre Dr. Joaquim Magalhães, com toda a probidade o referia como “engenheiro das letras”.
Luís Guerreiro, que presentemente era o responsável, entre outras funções autárquicas, pelo gabinete de eventos da Câmara Municipal de Loulé, autarquia em que ingressara nos quadros técnicos em 1980, nos Serviço de Infraestruturas Básicas, foi responsável pelo Gabinete de Turismo e Desenvolvimento Rural, chefe de gabinete da presidência, sempre presente e responsável dando o melhor de si em prol do bem de todos. “A morte de Luís Guerreiro é uma injustiça que a vida faz” escreveu a propósito desta ocorrência a conhecida jornalista, nome grande dos maiores da literatura portuguesa contemporânea, Lídia Jorge, apontando uma verdade que foi expressa sobre este homem que era um manancial constante de trabalhar em prol da cultura nas suas múltiplas opções, de que apenas referimos as circunstâncias de ser possuidor de mais de dois mil volumes sobre a história do Algarve e de um dos maiores acervos culturais privados da nossa e sua região natal. Era o presidente da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, com sede em Querença, em homenagem ao reputado cientista e mestre seu conterrâneo, esteve na criação da Fundação António Aleixo e há dois anos lançara o FLIQ (Festival Literário Internacional de Querença), bem como da candidatura ao Orçamento Participativo para criação de uma Hemeroteca Digital do Algarve, apenas leves referências de uma vida totalmente empenhada em fazer coisas que à região e a todos servissem.
Foi também um fervoroso e entusiasta cultor das letras, havendo colaborado em inúmeras publicações e escrevendo várias obras, das quais referimos “Duarte Pacheco, Edificador” e “Loulé no Ano da Revolução” e em parceria com o mestre Dr. João Saboia a obra “Bibliografia do Concelho de Loulé”.
Faro presta, para além de muitas outras homenagens e tantos foram os naturais ou residentes em Faro que estiveram presentes no funeral do eng. Luís Guerreiro, o merecido “obrigado” a quem prestou também relevantes serviços a este concelho, recordando-se uma frase extraída da mensagem da Drª Alexandra Gonçalves (Delegada Regional da Secretaria de Estado da Cultura) – “O contributo de Luís Guerreiro para a cultura ficará na memória de todos”.

João Leal

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