AVARIAS: Podem ler que não há nada sobre o Sporting

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Espreito a prova de Bobsleigh nos Jogos Olímpicos de Inverno. Os jogos Olímpicos de Inverno são assim uma espécie de um daqueles documentários da vida selvagem da Antártida, só que em vez de pinguins temos pessoas vestidas com anoraques de cores berrantes e barretes da cabeça (com e sem pompom). Sobre os locais onde se realiza tenho a ideia de uma coisa longínqua, em que um gajo anda sempre com a ponta do nariz gelada. Deviam inventar um Jogos Olímpicos de praia/campo retirando umas disciplinas aos jogos normais (saltos para a água, canoagem etc.). Aí talvez me apressasse a comprar bilhete para Miami (praia), um lugar à escolha no interior da planície central americana (campo) ou Alcoutim (campo e praia). Para rapar frio já me basta o inverno com seis positivos. Aquela coisa das Coreias concorrerem juntas deve ter dado grandes dores de cabeça aos treinadores das equipas, principalmente da Coreia do Sul, que os do Norte, tirando um ou outro caso de sucesso, devem estar mais preocupados em enriquecer o urânio para as bombas nucleares do que em enriquecer a disputar provas de esqui alpino. Lembro-me de ter visto, salvo erro, as declarações da treinadora de hóquei sobre o gelo da Coreia do Sul, que se dizia estupefacta, com a criação de uma selecção a partir de duas. Tinha, disse ela, treinado durante anos com uma equipa, para depois, duas semanas antes dos jogos ter que trabalhar com as jogadores da Coreia do Norte. Se não estou errado em relação a nenhum destes pontos, estas movimentações mostram como a política ainda tem muito peso, mas como estamos na fase das boas intenções, tudo bem; então que avance uma Coreia unificada para a mesa do canto, que os gajos do Norte andam com maus penteados.
No fim-de-semana do congresso do PSD, a única coisa que me saltou à vista (ou ao ouvido) foi a voz da, agora membro do Conselho nacional do partido Elina Fraga, que mais parece um martelo sobre metal (como alguém mais avisado notou antes de mim), ou o eco de um acidente dentro de um armazém (digo eu). De resto, vi os inevitáveis que já andam a rabiar por causa de uma sinecura, um pequeno tacho que lhes permita ir subindo. Manuel António Pina, o falecido poeta e autor, tinha escrito em tempos, que os presidentes de câmara eram divididos nos que roubavam e faziam, faziam e não roubavam; roubavam e não faziam e por último os que não faziam nem roubavam: era nesta última categoria que Pina colocava Rui Rio. Fiquei com a ideia que Rio será um dirigente de passagem por que no PSD já perceberam que não serão próximo governo; então afiam as facas, segundo o princípio que não convém (a menos que se tenha vindo do quase nada, como o presidente da câmara de Ovar) encostarem-se completamente a uma só pessoa. Há que deixar postas de saída em caso de incêndio, ou problemas nas eleições. O pleno foi conseguido por Luís Montenegro, que se armou em esperto e bateu em retirada à espera que o vão chamar para salvar o país, mesmo sabendo que existe no partido um Hugo Soares capaz de transformar areia da praia em ouro; diz ele!

 

Fernando Proença

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