AVARIAS: Estamos assim…

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Devem existir (sem o meu conhecimento prévio, o que pode conformar um problema grave ao nível da comunicação) estudos académicos e não académicos, com vista a tentar perceber o impacto das caixas dos televisores (box), no consumo de publicidade por parte dos caríssimos telespectadores. Sem dados que me permitam largar postas de pescada, diria que o dito consumo tem vindo a decair de uma forma exponencial. A capacidade que nos é dada, de numa parte substancial da programação, ser possível gravar, aceder e até interagir, como agora se diz, com o que se vai vendo na televisão, alterou a forma como nos relacionamos com os nossos programas favoritos, mudando mesmo a relação com o público-alvo; é que desta vez são os clientes com mais poder de compra que têm a hipótese de, com um bocado de sorte (manejando com maestria os botões do comando da televisão), não porem os butes em cima da publicidade sobe as qualidade da margarina, como forma de tapar buracos nos peitoris das janelas (que lhes interessará pouco), ou a do último modelo de uma determinada marca alemã de automóveis (que lhe deverá interessar muito mais). Ou seja, os publicitários deverão ter que continuar a fazer pela vida em busca de soluções para colocar o seu trabalho. E se as coisas fossem como deviam, não eram só os publicitários a ter que procurar novas razões para existirem; as marcas, muitas das marcas teriam que se esforçar mais. Todos nós que temos mais de quarenta anos, guardamos memória de conversas para abrilhantar jantares, sobre tudo mais alguma coisa, e ainda em relação à perda de qualidade das marcas de referência, em particular e das sapatilhas “All Star”: que antes, um par nos dava para uma vida de abusos e agora não chega para seis meses de passeio, sem descolar as solas. Quem diz sapatilhas dirá qualquer coisa que mexa; os detentores de telemóveis de ponta podem, por exemplo, guardar na cabeça, o actual tempo de duração do aparelho e possíveis avarias. Isto por que daqui a dez anos, os mesmos telemóveis (se ainda existirem sob essa forma) serão de pior qualidade, durarão menos e, acima de tudo, nunca terão arranjo caso se avariem: dizem que a isto se chama capitalismo. Foi a o que me aconteceu com uma mala de viagem Samsonite. A Samsonite, que se gaba da alta qualidade do seu material, produziu um trólei (o meu) que mesmo permanecendo em razoáveis condições já gastou vários pares de rodas. Não usando eu a ditas malas tantas vezes como devia, penso que se trata, logo aí de um grave problema na qualidade das mesmas. Com a agravante de agora me terem comunicado que as ditas rodinhas, deixaram de existir. Fiquei a saber que para a Samsonite dez anos é o máximo espaço de tempo para assegurar peças e consertos. Depois disso os modelos são, como agora se diz, descontinuados. Por isso aconselho-vos a pensarem bem na próxima vez que pensarem comprar um trólei Samsonite. Dirijam-se a loja chinesa mais próxima e adquiram uma mala meidinxaina pura, por cinco vezes menos. E aposto que dura o mesmo, ou mais.

 

Fernando Proença

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