VAMOS POR PARTES: A E.N. 125 e o ano de dois mil e vinte e tal

OPINIÃO | JOSÉ CARLOS BARROS

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A senhora ministra do Mar, no passado fim-de-semana, deu uma longa entrevista ao jornal «i». A palavra «Leixões» aparece três vezes – associada, nomeadamente, à obra de reconversão do terminal; «Viana do Castelo» aparece duas vezes – a propósito do investimento de aprofundamento do canal de acesso e da bacia de rotação do porto; a palavra «Sines» é referenciada por três vezes, nomeadamente no âmbito do concurso para o novo terminal Vasco da Gama; a palavra «Aveiro» aparece duas vezes, nomeadamente a propósito das melhorias em curso ao nível logístico; a palavra «Lisboa» aparece onze vezes – à média de 2.75 vezes por página de entrevista…
A palavra «Faro», por sua vez, aparece zero vezes; a palavra «Portimão» aparece zero vezes; a palavra «Algarve» aparece zero vezes.

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O Orçamento do Estado para 2018 – o penúltimo da legislatura – continua a não considerar um cêntimo de investimento nas infraestruturas portuárias da Região. O caso de Portimão é tristemente paradigmático: não obstante os sucessivos anúncios, as repetidas promessas, o OE 2018 voltou a não considerar qualquer investimento naquele que é um projecto verdadeiramente estratégico para o Algarve: a melhoria das condições de acessibilidade e operacionalidade do Porto de Cruzeiros de Portimão.
Por isso já nem surpreende que a senhora ministra do Mar dê uma entrevista de quatro páginas e: a palavra «Faro» não seja pronunciada uma única vez; a palavra «Portimão» não seja pronunciada uma única vez; a palavra «Algarve» não seja pronunciada uma única vez.

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O Algarve parece ter sido riscado do mapa dos investimentos.
É o que acontece com o Porto Comercial de Faro e com o Porto de Cruzeiros de Portimão.
É o que acontece com o deslizar dos prazos de electrificação da Linha do Algarve.
É o caso de um outro projecto estratégico para a mobilidade, o Turismo e a economia da Região: o Governo, no âmbito do Plano «Ferrovia», deixou cair a ligação da ferrovia ao aeroporto de Faro, não obstante, ao ter sido incluído no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas publicado em Diário da República em Agosto de 2015, dever estar a ser considerado no actual ciclo de fundos comunitários. Não está.
É o caso das obras de requalificação da Ponte Internacional do Guadiana, que deviam estar terminadas há mais de um ano – de acordo com prazos com que o próprio ministro do Planeamento e das Infraestruturas se comprometeu – e que, como se sabe, continuam em banho-maria.
É o caso do Hospital Central do Algarve – riscado das prioridades em 2016 quando o Governo decidiu os três novos hospitais a construir no País.
É o caso da gravíssima situação de suborçamentação de funcionamento do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve.
É o caso do Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul (de São Brás de Alportel) – com a solução de normal funcionamento a ser sistematicamente, incompreensivelmente e tristemente adiada.
É o caso, enfim, do troço da Estrada Nacional 125 entre Olhão e Vila Real de Santo António: promessa após promessa, anúncio após anúncio, a obra de requalificação continua adiada numa via cada vez mais perigosa, cada vez menos operativa em termos de mobilidade regional e um obstáculo cada vez maior à economia, ao turismo de qualidade e ao desenvolvimento sustentável da Região.

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Uma Petição Pública corre actualmente no Algarve exigindo que o Governo cumpra os compromissos assumidos e dê início imediato à requalificação da EN 125 entre Olhão e Vila Real de Santo António.
Os Algarvios não iriam compreender que o Verão de 2018 chegasse e o senhor ministro do Planeamento e das Infraestruturas, ao invés de assinar um despacho concreto para que se tapem os buracos do pavimento da 125, viesse mais uma vez à Região numa daquelas habituais visitas de propaganda em que anuncia importantíssimos investimentos para o ano de dois mil e vinte e tal.

José Carlos Barros

*Deputado do PSD à Assembleia da República.
O autor desrespeita o Acordo Ortográfico.

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