VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O resultado contra a despenalização da Eutanásia, ou seja, contra os Projectos de Lei que nesse sentido, em particular, foram apresentados pelo Grupo Parlamentar do PS e do Bloco, não constitui grande surpresa, a não ser a posição assumida pelo PCP que se posicionou ao lado da votação da maioria dos deputados do PSD e em bloco do CDS. Posição aliás reforçada pelas declarações de Jerónimo de Sousa ao último Expresso, quando nele declara que tal assunto está fechado para o PCP e desse ponto de vista não será pela iniciativa do PCP que tal matéria será de novo discutida em nova legislatura.

Já se contava que em matérias fracturantes como estas, as pressões seriam enormes e provenientes de vários sectores. De uma direita ultra conservadora, acompanhada por parte do centro direita, pela igreja no seu conjunto, forças políticas e ideológicas a quem se associou o PCP, comportando-se como uma força conservadora nos costumes e nas ideias, afastando do seu apoio gerações. De tal facto em próximas eleições teremos seguramente reflexos.

Porque, recorrendo-me a apreciações de meus companheiros sobre um artigo publicado no DN da autoria de Jorge Cordeiro, membro do Secretariado do PCP, quando insinua que o grande capital quer a Eutanásia para despachar os idosos que estão a ficar muito caros, ora, contradição das contradições, a direita em Portugal votou em bloco contra a despenalização da Eutanásia e assim lá se foi o interesse de classe sustentado pelo dirigente do PCP. Mais, demonstrando que o que a direita está interessada é no negócio, a qualquer preço humanitário, no prolongamento de situações extremas porque em cada dia ganha dinheiro à custa do sofrimento humano nos hospitais provenientes do negocio das publicas ou privadas.

Aliás o argumento invocado da falta de debate, já vamos em dois anos e meio a debater o assunto, ou da falta de cuidados paliativos, é de uma extrema hipocrisia por parte da direita, responsável pelo desmantelamento de cuidados primários e de hospitais de retaguarda. Perante esta realidade torna-se mais difícil perceber a posição do PCP. Tal matéria contrariamente ao que o PCP assume, pela importância que assume para a vida humana e de famílias nela envolvidas, terá certamente uma nova e reiterada importância na próxima legislatura. Porque se trata para além de um problema clínico, humanitário, de uma questão de liberdade individual, sobre o que se decide para final de vida. E essa decisão, assegurados todos os mecanismos para a proteger, não poem estar, em última instância, dependente do exoterismo, ou seja, de um Deus qualquer.

Lisboa assume-se como um grande capital. Está bonita. É agradável passear pelas avenidas que abriram espaços largos para os cidadãos desfrutarem, sem perigo de serem atropelados por bicicletas ou mesmo carros. Está invadida de gente: orientais, indianos, peninsulares, africanos, brasileiros (as descobertas) e também de gente do Norte que procura o afago do sol. A Feira do Livro estava inundada de gente o que transmite algum sossego sobretudo porque evidencia que existe muita gente interessada em ler. Descobri que existem ainda, muito mais editoras que o meu conhecimento desconhecia. Apesar da crise é um bom sinal de quem pelo menos resiste a esta avalanche tomada pelos telemóveis e as redes de comunicação fútil, digo eu, que os envolvem.

As notícias vindas de Espanha, com a queda de um governo de extrema direita envolvido em corrupção constituem bons sinais para a Península e mesmo para a Europa, num momento em que se discute o próximo quadro comunitário. Situação contraditória com a que ocorre em Itália que navega entre a extrema-direita e o populismo mais acéfalo. Trata-se do futuro e, nesse sentido, apesar das diferenças, encaro-o com confiança porque creio que as força mais progressistas vão sustentar o projecto de uma EU mais justa para com países e povos que merecem mais apoios e se assim for em beneficio de todas as economias do Tratado.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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