SMS: O papel e o online

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

A questão de fundo, para a vida ou sobrevivência dos jornais, não é o seu suporte, o papel ou o online. A questão de fundo é se há leitores com vontade e interesse pela leitura, e se aquilo que é publicado tem uma relação direta, útil e atempada com a vida em sociedade. A discussão voltou a colocar-se com particular intensidade com o fim da impressão diária do que já foi um dos principais jornais portugueses de cobertura nacional, agora remetido quase apenas para as nuvens do online.

Possivelmente, quando a poeira virtual assentar e houver cabeça fria para elencar as verdadeiras causas do fracasso da tiragem em papel, nascerá da consciência geral de necessidade um novo jornal por cada três desaparecidos ou por cada quatro que solicitaram alegremente a eutanásia, mas vai levar tempo. E cada um que nascer de novo, pouco no conteúdo terá a ver com o modelo ou modelos que falharam e morreram de inanição, ou que em vez da tinta que promove gerações de leitores, usaram veneno de forma explícita ou velada. Seja com papel ou no online, a questão é de leitores. No online a ausência de leitores até se disfarça, no papel a mentira da leitura não resiste.

Aproxima-se um tempo em que os suportes possíveis da comunicação social se complementam em vez de se apresentarem como adversários, um tempo em que se deixará para o papel a leitura com volume do tempo que fica e se manterá no online e nas impressoras domésticas a leitura linear do tempo que passa. Serão as duas faces dos futuros jornais, se houver leitores, e se a Leitura voltar a entrar como item incontornável do desenvolvimento humano seja de uma comunidade local, de uma região ou de um país. Seja no online, seja no papel. A Leitura é hoje e continuará a ser amanhã a questão de fundo.

Flagrante Aleixo: Enquanto o homem pensar/ que vale mais que outro homem,/ são como os cães a ladrar,/ não deixam comer, nem comem.

Carlos Albino

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