José Manuel Tengarrinha foi um “combatente pela liberdade”

Natural de Portimão, José Manuel Tengarrinha destacou-se na luta política antes do 25 de Abril de 1974. Foi preso várias vezes pela polícia política do regime fascista. Mesmo assim, continuou a ser um resistente em várias frentes. O seu corpo vai ser cremado esta segunda-feira, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou o portimonense José Manuel Tengarrinha – fundador do MDP/CDE (1969) e deputado na Assembleia Constituinte nas quatro primeiras legislaturas (até 1987) –, que morreu na sexta-feira, aos 86 anos, como um “combatente corajoso pela causa da liberdade e da democracia”.

José Manuel Tengarrinha, que foi vítima de doença prolongada, nasceu em Portimão, em 1932, e foi professor universitário, jornalista, escritor, investigador, político e cofundador do MDP/CDE.

O corpo de Tengarrinha vai ser cremado esta segunda-feira, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, numa cerimónia reservada à família e amigos próximos.

Numa mensagem de condolências partilhada na página oficial da Presidência da República, Marcelo afirmou que Tengarrinha “foi mestre de gerações” e deixa agora “uma obra sobre a história política de Portugal nos séculos XIX e XX que perdurará ao longo dos anos”.

O Presidente da República acrescentou ainda que o fundador do MDP/CDE era “uma personalidade discreta e cativante que deixa um rasto de saudade em todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer”.

Também o primeiro-ministro, António Costa, já emitiu uma nota oficial: “Manifesto à família de José Manuel Tengarrinha sentido pesar pelo seu falecimento. Lutador antifascista, deputado constituinte, militante político, foi um exemplo de cidadão civicamente ativo, a par de historiador ilustre que investigou e lecionou com paixão”.

Ao longo da sua vida, José Manuel Tengarrinha foi detido diversas vezes pela PIDE e esteve preso na cadeia do Aljube, em Lisboa, assim como no Forte de Caxias, tendo sido libertado só nos dias seguintes à queda do regime fascista.

O historiador foi o autor da primeira “História da Imprensa Periódica Portuguesa”, editada originalmente em 1965 e, depois, em 1989. Exerceu ainda uma intensa atividade jornalística entre os anos de 1953 e 1962, entre os quais se conta o Jornal do Algarve, pelo qual nutria uma grande amizade com o fundador e ex-diretor, José Barão e António Barão, respetivamente. Tengarrinha colaborou ainda com a República, Diário Ilustrado, Diário de Lisboa, O Século, Diário de Notícias, Seara Nova e Vértice.

Atualmente, o irmão mais novo da ex-deputada comunista Margarida Tengarrinha militava no partido Livre, liderado por Rui Tavares, onde foi candidato às eleições legislativas de 2015.

NC|JA

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