A loucura dos carrinhos de rolamentos renasce no Algarve

Corrida de carrinhos no Monte Francisco, em Castro Marim (Foto: Campesino RFC)

Os carrinhos de rolamentos estão a ganhar de novo cada vez mais popularidade. Multiplicam-se por toda a região as provas onde não é permitido usar nenhum tipo de propulsão que não seja a gravidade. Estas corridas começam pela construção e decoração dos carrinhos e terminam com um teste à perícia de cada um ao “volante”. O JORNAL DO ALGARVE dá a conhecer algumas das corridas mais “míticas” da região

 

As divertidas e tradicionais corridas de rolamentos estão a voltar à moda e, por toda a região, já são realizadas cerca de uma dezena de corridas por ano. Nave e Alferce (Monchique), Mexilhoeira Grande (Portimão), Monte Francisco (Castro Marim), São Brás de Alportel, Quarteira e Boliqueime (Loulé) e São Marcos da Serra (Silves), são algumas das localidades onde esta tradição está a ganhar cada vez mais adeptos, entusiastas e público.

O objetivo é ressuscitar uma brincadeira popular que fez as delícias dos nossos pais e avós, mas também mostrar às gerações mais jovens como antigamente também haviam muitas soluções de entretenimento e convívio, num tempo em que não existiam televisões nem jogos de computador.

Tal como naqueles tempos idos, as corridas de carrinhos de rolamentos estão novamente a despertar a curiosidade de muitas pessoas, com cada vez mais provas a serem realizadas no Algarve.

A próxima terá lugar no próximo dia 23 de setembro, no concelho de Portimão. Trata-se da segunda edição da Grande Corrida de Carrinhos de Rolamentos da Mexilhoeira Grande, onde só são permitidos carrinhos artesanais (madeira ou metal), que vão descer vertiginosamente os cerca de 500 metros da rua principal desta localidade do concelho de Portimão, obedecendo apenas às leis da gravidade.

Tal como é habitual nestas corridas “loucas”, o desafio estende-se a todas as idades, a partir dos 13 anos, e promete diversão e muita adrenalina.

Para além do carrinho – onde convém montar também um sistema de travões e pensar na decoração – a única exigência da organização desta corrida cheia de adrenalina é o uso de “capacete, sapatos fechados, blusa de manga comprida e calças até ao tornozelo”. “Tudo em nome da segurança e da boa disposição”, explica ao JORNAL DO ALGARVE Dario Martins, que faz parte da organização da prova.

Corridas atraem multidões

O evento ganhou forma no ano passado pelas mãos de um grupo de entusiastas, formado por Dario Martins, Marta Sofia, Sílvia Reis, João Gorgulho, Luís Moreira, Fernando Santos, Marco Gonçalves e Joel Filipe Duarte, com a parceria do Clube de Instrução e Recreio Mexilhoeirense (CIRM).

“A ideia nasceu quando eu e o Marco Gonçalves discutíamos a hipótese de participarmos nas corrida de Monchique e descobrimos que já tinha passado a data. Foi então que decidimos fazer a nosso própria corrida”, revela Dario Martins.

O sucesso foi imediato e, logo no ano de estreia, a corrida contou com 46 carrinhos e 53 participantes divididos pelos carrinhos. Além disso, a corrida atraiu muito público à Mexilhoeira Grande, “mais do que alguma vez se esperava”. “A nossa expetativa nem era muito grande em relação a carrinhos e participantes, quanto mais a público, mas a verdade é que a Mexilhoeira foi inundada com mais de duas mil pessoas a assistir”, frisa o jovem entusiasta, adiantando que as expetativas para este ano é de “casa cheia” novamente.

Face a este sucesso, o evento ganhou projeção e, este ano, a corrida de carros de rolamentos está integrada na iniciativa “A nossa cultura sai à rua”, organizada pelo museu de Portimão e junta de freguesia da Mexilhoeira Grande.

Corrida de carrinhos no Monte Francisco, em Castro Marim (Foto: Campesino RFC)

Prémios para os mais rápidos e criativos

Dario Martins recorda que estas corridas eram realizadas “há 20 anos ou mais” nesta localidade, mas “não era algo organizado, era espontâneo e absolutamente perigoso, porque havia carros a circular na estrada ao mesmo tempo”.

Com a garantia que não haverá viaturas com motor a circular na estrada desta vez, o vencedor desta corrida será o carrinho que fizer o tempo mais rápido, de preferência sem mazelas, mas também há prémios para os carrinhos mais imaginativos e criativos, existindo para isso três categorias: geral, tradicional e alegórica.

O público não pode empurrar, nem pode tentar impulsionar o carro com o solo. E assim que o carrinho de rolamentos está em movimento, o condutor já não pode sair do veículo e, o resto, depende da sua mestria ao… “volante”.

Dario Martins admite que estas corridas têm sempre “um risco associado”, mas lembra que a participação nesta corrida é voluntária. Além disso, todos os participantes são alertados do “risco que poderá ser uma consequência do desrespeito pelas recomendações efetuadas antes do início de cada corrida”. “Apelamos sempre ao bom senso de todos os participantes para realizarem a corrida com consciência, sem ultrapassar o limite do aceitável no âmbito da sua segurança e de todos os participantes”, frisa, sublinhando que, “mesmo assim, temos seguro para todos os participantes e garantimos a presença de fiscais de pista e dos meios necessários para um eventual socorro de emergência”…

 

(REPORTAGEM COMPLETA COM FOTOS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – 30 DE AGOSTO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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