Castro Marim: Câmara já tem luz verde para reabrir antiga porta do castelo

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Acesso ao monumento passará a poder ser feito por duas portas. Financiamento comunitário também já está garantido e a obra terá que ser lançada nos próximos dois meses. Executivo municipal espera que a renovada entrada e o novo passeio pedonal exterior estejam a funcionar dentro de dois anos

DOMINGOS VIEGAS

A Câmara Municipal de Castro Marim já tem financiamento comunitário garantido e autorização da Direção-Geral do Património Cultural para reabrir a antiga porta nascente do castelo da vila, denominada Porta do Mar, que tinha sido encerrada há vários séculos e que se encontra ainda parcialmente soterrada.

Devido aos prazos estipulados pelas candidaturas, o concurso público para a execução da obra terá que ser lançado em menos de dois meses. Os trabalhos deverão prolongar-se por cerca de um ano. Paralelamente, será construído um novo passeio pedonal, na zona exterior nascente do castelo, que dará acesso a esta segunda porta.

A vice-presidente da autarquia, Filomena Sintra, explica que este “foi um processo difícil”, mas que o projeto de execução “já está praticamente fechado”. Tendo em conta o tempo necessário para o processo que se seguirá ao lançamento da obra e, posteriormente, para os trabalhos no terreno, a autarca espera que esta esteja concluída dentro de dois anos.

O trabalho que se segue também não está isento de alguma complexidade. “Conseguimos autorização para sacrificar várias estratificações da história, nomeadamente o enterramento de infraestruturas da Idade do Ferro que já tinham sido estudadas. Agora, o baluarte de 1640 tem que ser desmontado e as peças têm que ser numeradas para a sua posterior reconstrução”, exemplifica Filomena Sintra, revelando que os trabalhos, incluindo a construção do passeio, estão orçados em cerca de 400 mil euros.

A Porta de Mar data da construção da Cerca Medieval, mandada erigir por D. Dinis em 1279. Esta porta permitia o acesso direto ao bairro da Ribeira, localizado extra-muros, e ao antigo cais de desembarque, localizado no Guadiana. Esta entrada sofreu uma primeira remodelação na transição entre os século XV e XVI, quando D. Manuel I promove obras de adaptação do conjunto arquitetónico medieval ao novo uso de artilharia.

Porém, a porta acabaria por ser entaipada no início da Guerra da Restauração, em 1641, para a conformação de um baluarte virado a nascente, que recebeu o nome de Baluarte de Malpique. Ou seja, a porta foi fechada por questões estratégicas, para poder ter peças de artilharia viradas para Espanha. A partir daí passou a funcionar apenas um acesso, a atual porta virada a poente.

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