Algarvios e marroquinos reforçam amizade 440 anos depois da Batalha de Alcácer-Quibir

Passado comum leva à geminação dos municípios de Lagos e Ksar El Kebir

Detalhe de uma pintura mural alusiva à batalha, existente numa rua de Alcácer-Quibir

 

Lagos e Ksar El Kebir partilham um passado comum. Em 1578, as tropas comandadas por D. Sebastião, que partiram de Lagos, enfrentaram os mouros na Batalha de Alcácer-Quibir, naquele que foi um dos dias mais sangrentos da História de Portugal. Esta “memória sombria” vai ser transformada num “relacionamento de cooperação” entre os dois municípios

 

Lagos e o município de Ksar El Kebir, do Reino de Marrocos, estão prestes a assinar um acordo de geminação, depois de a câmara municipal algarvia ter apresentado, na semana passada, uma proposta à assembleia municipal nesse sentido.

A autarquia lacobrigense justifica esta aproximação com o facto de os dois municípios estarem “inequivocamente relacionados pelo seu passado comum de enorme relevância para ambos”.

“Esta decisão foi tomada considerando vários fatores, nomeadamente, o facto de Lagos ter sido a cidade sede dos Descobrimentos e da expansão portuguesa em África, iniciada em Marrocos, e de onde partiram as tropas comandadas pelo rei D. Sebastião para a Batalha de Alcácer-Quibir ou de Oued El Makhazen”, acentua o município, acrescentando ainda o facto de Ksar El Kebir ter sido uma das principais cidades da resistência marroquina às praças-forte portuguesas em Marrocos, de onde saiu o exército que fez frente ao exército português na Batalha de Alcácer-Quibir, e que acolheu o corpo de D. Sebastião após a sua morte (posteriormente entregue às autoridades portuguesas de Ceuta).

A Batalha de Alcácer-Quibir ocorreu no verão de 1578, entre os portugueses liderados por D. Sebastião e os mouros de Marrocos. Dela resultou a derrota dos portugueses e o desaparecimento da nata da nobreza portuguesa e do próprio rei D. Sebastião, precipitando a crise dinástica de 1580 e o nascimento do mito do “sebastianismo”.

Segundo relatos históricos, as forças portuguesas estavam claramente em minoria, deparando-se na batalha com forças muçulmanas com cerca de 60 mil combatentes, ultrapassando os efetivos portugueses em uma razão de quatro para um. O resultado foi o esperado e os portugueses foram subjugados pelos mouros em maior número. Metade do efetivo das tropas portuguesas morreu na batalha e a outra metade foi feita prisioneira. Muito poucos voltaram. Apesar de se duvidar da morte do rei português, é provável que ele tenha mesmo perecido nesta batalha.

Em suma, resume a autarquia, “Lagos e Ksar El Kebir partilham um passado comum, com base na figura do Rei D. Sebastião e dos eventos da Batalha de Alcácer-Quibir ou de Oued El Makhazen, cuja memória sombria se pretende transformar num futuro relacionamento de cooperação”…

(NOTÍCIA COMPLETA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 15 DE FEVEREIRO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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