Visões do ensino

OPINIÃO | SANDRINE COELHO

No âmbito do programa Erasmus + criou-se o projeto My Little Europe que pretende aproximar seis escolas de países europeus distintos, através do conhecimento dos heróis nacionais que influenciam a vida das crianças.
Pretende-se fomentar a troca de experiências entre professores e alunos do 1.º Ciclo dos diversos países envolvidos, onde a formação contínua, a atualização de conhecimentos, as melhores estratégias pedagógicas, o intercâmbio cultural, a comparação de metodologias, de currículos, de sistemas de ensino são apenas alguns dos aspetos que o projeto em si proporciona.
A primeira escola que foi visitada situa-se em Bydgoscz, na Polónia. No seu sistema de ensino não existe a segregação das crianças através de intervalos desencontrados, a fim de os mais velhos não importunarem os mais novos, à semelhança do que acontece por cá, em tantas escolas do 1.º Ciclo.
As crianças possuem um sentido de escola enraizado em que a mesma é apreciada e vista como algo imprescindível nas suas vidas, quer por elas quer pelas famílias.
Na Polónia, o 1.º ciclo comporta 4 anos. As crianças têm um professor até ao 3.º ano. A partir do 4.º começam a ter vários professores para as diferentes disciplinas. É interessante registar que as disciplinas de Inglês e de Tecnologias da Informação integram o currículo, a partir do 1.º ano.
Na Lituânia (2º país a ser visitado), o professor titular acompanha a turma até ao 4.º ano, mas existem professores específicos para as disciplinas de Inglês e de Artes.
Naqueles países, as crianças do 1.º Ciclo têm aulas só de manhã. A tarde é reservada a outras atividades, como a natação. Os restantes níveis de ensino têm o seu horário alargado consoante a idade das crianças.
Após o término das aulas, os alunos vão para casa. Quando os pais trabalham, procuram um familiar que se responsabilize por ficar com as crianças. Na Polónia, as poucas que não têm ninguém que possa ficar com elas permanecem na escola, numa sala com um professor para o efeito. Na Lituânia, em casos excecionais, ou seja, não mais do que uma vez por semana, permanecem com o professor até às 15 horas. A família é sempre a opção primordial, porque há a clara e óbvia assunção da sua importância na educação da criança.
Por cá temos os horários de trabalho das famílias perfeitamente desregulados, obrigando-as a “deixar” as crianças nas escolas das 8 às 18 horas, obrigando-as a recorrer às designadas Atividades Extra-Curriculares ou a pagar a empresas de ocupação de tempos livres/centros de explicação. Muito a fazer no que respeita à proteção laboral das famílias com crianças!
Por cá muito há a fazer para liquidar a ideia construída da escola a tempo inteiro, que obriga as crianças a viver (sobreviver) entre quatro paredes com a convicção que é na escola que devem estar durante todo o dia.
Por cá, muito há a fazer e a esperança tem vindo a sobreviver quando se aproximam as eleições e se pensa “Agora é que é, com este novo governo e com um ministro da educação que até percebe do sistema…” Precisamos da revisão dos currículos, da diminuição do número de alunos por turma, da diminuição da carga letiva, de assistentes operacionais em número suficiente, de técnicos especializados, de professores de Educação Especial que acompanhem presencialmente os alunos com Necessidades Educativas Especiais…
Tanto…

Sandrine Coelho
* dirigente sindical do SPZS