VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

A recente morte de Cabrita Neto deu fim a uma larga carreira política. aqui bem assinalada na edição anterior do JA, desde dirigente associativo, deputado, bem como uma larga carreira como Governador Civil. Mantive com ele, independentemente do que nos separava em matéria política, ideológica, uma boa amizade assente no respeito mútuo.

Recordo até como exemplo o acordo que deu corpo a uma profunda transformação na direcção e trabalho da Região de Turismo do Algarve. Era eu na altura responsável pela organização regional do PCP.

Sublinho igualmente o papel político, em defesa dos interesses da região que desempenharam, como deputados eleitos pelo Algarve, Carlos Brito, Luís Filipe Madeira, Cristóvão Norte, Mendes Bota. Tendo os interesses do Algarve como primeira linha, para além das diferenças de projectos políticos que a cada um cabia defender, baterem-se em conjunto pelo desenvolvimento da região e nesse sentido a essa postura se deve, de entre outra obra pública, a criação pela Assembleia da República da criação da Universidade que a região dispõe.

O Algarve tinha um peso na vida política e económica do País que se tem vindo a perder. Não conheço hoje no plano regional, nenhuma figura pública com o perfil e importância que tiveram os atrás citados e esta particular opinião pode estender-se a quem hoje compõe e dirige a CCDR, e o mesmo se aplica ao papel que desempenha a própria AMAL em função dos interesses da região.

Separemos as questões que importam e nelas não me atribuo um posicionamento marcado por um regionalismo exacerbado, mas entendo que a centralização das decisões teve um acelerado percurso em prejuízo do Algarve. Hoje pouco se fala da criação da Região Administrativa porque passou a ser assunto sem valor e não fosse o esforço que as autarquias realizam, em alguns casos substituindo-se ao papel do Estado, e seguramente estaríamos numa situação mais deprimente. A própria Universidade tem uma relação com a vida real do Algarve, da sua economia, do seu desenvolvimento, demasiadamente fluida.

O turismo e bem continua a ser a mola real da actividade económica, a par de nos últimos termos vinda a assistir a investimentos importante na agricultura, alguns impulsionados pelos nossos vizinhos mas é hoje visível que campos durante anos abandonados voltaram a produzir, a serem cultivados, cuidados, o mesmo infelizmente não podemos referir em relação ao sector pesqueiro e à industria transformadora o que me faz não ter uma visão optimista quanto ao futuro da bela região em que vivo e trabalho.

Amanhã parto, por minha iniciativa, para Macau a fim de participar no Congresso da APAVT, num foro que pelo que fui conhecendo de painéis e oradores promete. Por tal razão estarei ausente nas próximas duas semanas do contacto com os leitores do JA esperando trazer desta participação elementos de análise, noticias frescas sobre a situação do País e em particular da actividade turística.

Até breve!

Carlos Figueira