VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Escrevo desde Madrid onde a convite de um familiar nos instalamos alguns dias com o principal objectivo de vermos a exposição dos 100 anos de Guernica no museu da Raínha Sofia. Dessa estadia vos darei conta na próxima crónica.

Agora o que se torna importante é que futuro nos reserva a Europa após o resultado eleitoral das eleições em França. Que quadro político se desenha, que protagonistas, que forças políticas vão desempenhar papel importante nos próximos anos não só em relação a França mas para o conjunto da União Europeia.

Numa primeira e simples abordagem diria que antes de tudo a derrota da extrema direita  neo fascista constitui um acontecimento notável que seguramente vai ter consequências na própria extrema direita, derrotada em várias gerações.

Mas não só na extrema direita. Os resultados eleitorais obtidos com a votação obtido por Macron, resultam de um amplo apoio político perante um candidato sem força política institucional , ou seja sem partido, a apoiá-lo. E esta questão não é somenos perante o cenário de eleições para o Parlamento dentro de um mês. Em que quadro político e em que novo partido se apoia Macron. O que resulta da organização inevitável do centro direita e igualmente do centro esquerda. Para onde dependerá um Presidente eleito, originário do PS, cujo partido se demonstrou estar em cacos na primeira volta das presidenciais.

E que esquerda vamos ter nas eleições para o Parlamento? Nas contas internas quanto a posições tomadas, a ambiguidade tomada por PCP e Bloco, seguiram os meios termos que Mexelon acabou por tomar, diria que à boca das urnas, finalmente decifrando o que era essencial, a saber, a derrota da extrema direita. Neste quadro é todavia justo lembrar que o Movimento Renovação Comunista foi aquela voz que se associou à posição tomada igualmete pelo Partido Comunista Francês.

Seja de que maneira for existe um movimento de recomposição política em toda a Europa, recomposição que tem no anúncio da esquerda se apresentar às futuras eleições para o Parlamento em torno do movimento dos “Insubmissos”, se assim acontecer, é uma boa notícia para o projecto europeu no qual estamos inseridos e dependentes.

De Portugal trouxe no meu bloco de notas a notícia do Público de 3 de Maio na qual relatava que a dívida de um senhor que foi notícia em toda a imprensa como o promotor evangélico de uma nova economia tinha afinal falido com dívidas ao BCP de perto de 300 milhões de euros banco que aceitou a partir das ilhas Caimão,  que o assunto da dívida na comodidade de um dos muitos paraísos fiscais, se resolvesse em torno dos 56 milhões, ou seja 20% do seu valor.

Percebe-se assim que as minhas poucas poupanças, como as de muitas de outros cidadãos, produto de uma imensa jornada de trabalho, sejam cotadas a um nível que se aproxima de pedir ao banco que lhes agradeça por nos guardar o nosso dinheirinho e, quando pedimos crédito para comprar o que na circunstância se tornou necessário, os juros sejam cobrados a níveis da mais profunda agiotagem. E ainda assim pedem ajudas para empréstimos ao estado para reequilibrar as suas contas? Este é outro dos desafios que temos à esquerda que nos batermos. A estabilidade do sistema financeiro não pode ser sempre à custa do erário público.

Carlos Figueira

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NB: Defendo que o aeroporto de Faro se passe a chamar aeroporto do Algarve Manuel Teixeira Gomes

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