Turismo algarvio “levanta voo” mesmo sob alta pressão

Região resiste à tendência de queda do principal mercado

O turismo algarvio levantou voo nos últimos dois anos devido ao crescimento de quase todos os mercados… menos o principal: o número de turistas britânicos que dormem nos alojamentos classificados do Algarve está em queda há quase ano e meio (FOTO: LUIS ROSA)

Grão a grão, o Algarve tem vindo a perder turistas britânicos desde o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, em junho de 2016. Ainda assim, o turismo algarvio alcançou um ano histórico em 2017 e as perspetivas para 2018 também são altas. Mas a ameaça do Brexit mantém-se: estará o maior mercado emissor de turistas para o Algarve numa espiral de queda?

 

Entre os anos 2014 e 2016, o número de dormidas de turistas do Reino Unido no Algarve aumentou quase um milhão, passando dos 5,3 milhões para os 6 milhões de dormidas – de longe o maior mercado emissor de turistas para a região, representando 37,2% do total de hóspedes estrangeiros que visitaram a região do Algarve durante este período.

O ano passado foi ainda mais histórico para o turismo algarvio e as perspetivas dos agentes do setor e da Região de Turismo do Algarve (RTA) para 2018 são ainda melhores, apesar de fatores como o Brexit estarem já a ter um impacto negativo nos resultados… pelo menos, nos oficiais.

É que, no ano passado, apesar de o Algarve ter recebido um número recorde de 4,2 milhões de turistas no alojamento classificado, gerando um total aproximado de 20 milhões de dormidas, o principal mercado – o britânico – caiu 8,6%.

O que valeu à hotelaria algarvia para alcançar os resultados históricos foi a compensação feita pelo aumento do número de turistas alemães (mais 17,8%) e irlandeses (mais 6,1%), aliado ao crescimento de pequenos mercados, o que permitiu ao Algarve atingir bons resultados em 2017 e compensar a grande descida do principal mercado emissor de turistas. Ainda assim, os agentes do setor reconhecem que o turismo algarvio ainda está muito dependente do mercado britânico e este é mesmo considerado um mercado vital para o motor da economia regional.

Primeiros meses de 2018 confirmam menos britânicos

Por isso, a queda que se vem verificando do mercado britânico desde o ano passado deixa em alerta os agentes do setor. No pico da última época alta, em agosto de 2017, a descida foi de 16,3%. E o ano de 2018 também começou mal neste capítulo, com a quebra de turistas britânicos a atingir os 19,4% em janeiro. Já no passado mês de março, a situação voltou a repetir-se, com os turistas da terra de sua majestade a registarem a maior descida, menos 5,3%, em relação ao período homólogo.

Ou seja, a saída do Reino Unido da União Europeia e a consequente desvalorização da libra (a moeda britânica perdeu quase 15% do seu valor em ano e meio) continuam a influenciar negativamente os dados deste mercado…

(NOTÍCIA COMPLETA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 12 DE ABRIL)

Nuno Couto|Jornal do Algarve