SMS: É preciso marcar presença e não só

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Em matéria de Turismo, não se diz que se vá a tudo e a qualquer lado, mas não ir a nada seja onde for ou fazer figura de corpo presente entrando mudo e saindo calado, é muito mau. Em matéria de Turismo, o Algarve pode, deve e devia ter interesse em marcar presença nas reuniões internacionais sobre temas de importância direta para a atividade-rainha da Região, não se limitando a ficar a assobiar, encostado às estatísticas do INE e aos altos e baixos emocionais das duas ou três organizações locais que em primeira linha auscultam dados. Portugal é, desde 1976. membro da OMT, a agência  especializada das Nações Unidas e a principal organização internacional no campo do turismo, destinada a promovê-lo e desenvolvê-lo, com sede em Madrid, praticamente aqui à porta. A agência envolve 157 países, 7 territórios e mais de 300 Membros Afiliados, dos quais 13 são de Portugal e um deles é a carismática RTA, auto-apresentada como Algarve Tourism Board.

Não temos que dizer onde e quando a RTA pode e deve marcar presença em nome do Algarve e dos interesses do Algarve na área do Turismo, mais, fazendo intervenção credível e fundamentada. A RTA conhece a agenda da OMT , sobretudo neste ano de 2017, declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Pelos seus próprios meios ou em parceria expectável com a Universidade do Algarve, por via dos respetivos departamentos especializados, seria expectável que a RTA não perdesse um único acontecimento para dar voz ativa à Região, colher informações estratégicas e consolidar contactos. Não basta tomar conhecimento dos “ecos” recolhidos pelo Turismo de Portugal, já estes por “ecos” de algum elemento da sua delegação em Madrid ou de um observador aleatório da embaixada em serviço. A RTA é membro afiliado da OMT e, se pode, deve ir lá diretamente, se possível intervir e reportar. O Turismo do Algarve não é uma coisa qualquer e, muito embora e ainda bem não seja “um país dentro do País”, tal como diz o slogan oficial para a região do Oeste, se dá receitas volumosas para o País, pode e deve ter voz ativa.

Repita-se, não temos que dizer que a RTA vá a todo o lado. Que a RTA vá, por exemplo, a 19 de setembro, a Mendoza, na Argentina , para a 2.ª Conferência Global sobre Vinho e Turismo, e se fosse levando vinhos do Algarve, melhor. Ou que a RTA vá à Jamaica, a 27 de novembro, para a Conferencia Mundial da OMT sobre a criação de alianças para o desenvolvimento através do turismo sustentável, e se fosse e fizesse alianças adequadas, melhor também.

Mas não ir a lado nenhum, não só não é nada, é péssimo, porque quanto aos passos do Turismo de Portugal, I.P., o Algarve já sabe o que a casa gasta.

Além disso, indo para fora cá dentro, a meio deste Ano Internacional do Turismo Sustentável, já era altura para a Região ter aprofundado os cinco temas propostos mundialmente para  debate – 1) o crescimento económico inclusivo e sustentável (de que o Algarve carece); 2) a inclusão social, emprego e redução da pobreza (que o Algarve evidencia); 3) o uso eficiente de recursos, proteção ambiental e as mudanças climáticas (coisas muito mais que “autárquicas”); 4) os valores culturais, a diversidade e a herança cultural (o que pouco tem a ver com animação); e 5) o entendimento mútuo, paz e segurança (o que força a bater com o nó dos dedos em madeira).

Flagrante calafrio: Se as televisões e rádios da concorrência, dessem as notícias do trânsito e acidentes da 125 , como dão das áreas de Lisboa e do Porto repetindo o memo de manhã até à noite, ter-se-ia alguma ideia da requalificação…

Carlos Albino