SMS: Comboios, 125, portos, hospital, etc.

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Bem vistas as coisas, nenhum partido que sozinho ou acompanhado tenha estado no Governo, tem autoridade moral e política para, estando na oposição, reivindicar questões essenciais par o Algarve, ou estando no Governo culpar os antecessores por não poder ou querer fazer alguma coisa pelas questões essenciais. A começar pela regionalização com tudo o que isso pressupõe, ou seja a transferência de poderes e competências da Administração para os administrados. Este ou aquele, cada um por sua vez, inviabilizou a região-piloto quando o bom senso a isso aconselharia. Este ou aquele entreteve-se com “regionalizações” que não passaram de meras desconcentrações, e com “descentralizações” que aumentaram burocracias e mordomias – algumas burocracias piores que a centralização e algumas mordomias cujo bónus se tem resumido a uma espécie de salário de prestígio social e pouco mais. Não há regionalização sem Região com o modelo democrático que está na sua definição, e o resto é conversa. Este ou aquele divertiu-se contra as portagens na oposição ou com o silêncio manhoso estando no Governo. O mesmo com a eterna proclamação do Hospital Central. Idem com a rede ferroviária que está como música dos anos 40 do século passado assobiada por falta de instrumentos. Aspas com a gestão dos portos. Praticamente o mesmo comportamento com o Turismo que é uma secção de um instituto disfarçadamente corporativo, como corporativa é, no comportamento, a igreja das estradas que é a maior autarquia do Algarve sem bermas, como prova a saga da 125 e adjacentes. Etc.

Apesar disto, os municípios estão contentes à medida das bocas das câmaras que podem rir, desconhecendo-se por ora qual a última a rir e se ri melhor. Tal ginástica de boca tem animado enormemente as eleições autárquicas, colocando a região cada vez mais longe do que lhe daria o bilhete de identidade a quem tem direito pela história e pela posição no País. A ideia de quintal, que é o pior que o provincianismo português exibe como filosofia própria, substitui-se assim à ideia de Algarve que para muitos se resume à estreita faixa litoral, para outros termina no Patacão, para uns tantos na receção dos hotéis, ainda para outros tantos na imobiliária, mas que para a generalidade dos que assistem ao divertimento termina no descrédito não da Política mas dos políticos que temos. Não confundamos as coisas. Temos muito boa gente para galvanizar entusiasmos nos comícios, para deputarem na Assembleia da República, para se candidatarem a um posto qualquer na Administração Central, mas fora disso, em termos de Algarve, de Região e de fazerem alguma coisa, quando podem e devem, nas questões essenciais, é um silêncio de morte. Não a morte da Política, mas dos políticos. E nisto, acrescente-se, se o Estado pode e deve ajudar a Política, é-lhe impossível dar políticos, fazer políticos. Ou os temos, ou se não, fiquemos a aguardar que os bebés cresçam, pode acontecer que algum ou alguns façam pelo Algarve o que os seus antepassados manhosos não fizeram.

Tenhamos esperança que é a única coisa que tem seguramente sede fiscal no Algarve.

Flagrante constatação: Já que se fala muito em Cultura, é da sabedoria secular que não se podem fazer omeletas sem ovos. Além disso, a Cultura não sai como os ovos, por mais bem intencionado que seja o gestor do galinheiro.

Carlos Albino