SMS: Boliqueime, notícia nacional

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Em Portugal, em dia de autárquicas, as grandes montras são Lisboa e Porto, e quando muito Coimbra e Viseu. Oeiras também já que é um município em liberdade condicional. Para o sul, nada é montra. Não conta. Apesar disso, as pessoas sabem festejar as vitórias e chorar as derrotas com decência e aprumo, mesmo onde os mecanismos da democracia ainda apresentam traços dos tempos do autoritarismo, dos votos de chapelada e dos boletins comprados a troco de favores.

No Algarve muita coisa se passou na luta política que terminou com o sufrágio de domingo, e que deve merecer interpretação serena, terra a terra. E interpretação também dentro dos partidos, quanto a critérios e procedimentos para escolha dos seus candidatos, escolha essa que muitas vezes apenas depende de uma claque que reduz o seu partido a um clube fechado. Houve casos de vitória estrondosa, pois o eleitorado, embora também se engane, sabe premiar o cultivo de valores e a chamada ação a bem da terra. E houve casos de desapontamento atroz. Já lá dizia Millôr Fernandes que errar é humano, repetir o erro é burrice.

Um caso digno de nota foi Boliqueime. Os festejos foram grandes porque, o PS aí ganhou por 63,54 por cento dos votos, encerrando um longo e controverso mandato capturado para o PSD. Boliqueime, se não foi notícia nacional, devia ter sido. E desta vez não pelo Homem de Boliqueime, mas pela Gente de Boliqueime. Prova de que, a certa altura, o peso dos rostos emblemáticos é superado pela força da renovação e também pelo facto de, em democracia, como se sabe, poder-se enganar uma ou duas vezes, mas sempre, nunca. E se me perguntam se a votação foi livre e secreta, direi que sim, apesar de os candidatos à freguesia e aos órgãos do município, se terem postado junto das urnas de voto em momentos-chave de afluência, estendendo a mão à fila de votantes. Percebia-se que, ali, qualquer homem que se julgasse como Homem de Boliqueime, não queria perder, fosse qual fosse o preço.

E porquê, notícia nacional? Notícia mais nacional que Oeiras? Porque Boliqueime, emblematicamente, respondeu que não queria continuar a ser uma terra órfã. Respondeu que cada Homem de Boliqueime e cada Mulher de Boliqueime sabe votar e o que fazê-lo com alegria.

Aqueles episódios sobre as ilustres figuras alojadas na democracia, continuam na próxima semana.“Depois de Os Algarviotes, falaremos de Os Algarviões. E a terminar a série, Os Algarvios…

Flagrante advertência: As maiorias absolutas exigem redobrado cuidado e tripla responsabilidade, nas curvas, nas contracurvas e, sobretudo, na condução noturna da Política, por causa das pontadas de sono e dos encandeamentos.

Carlos Albino

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