SMS: A questão da água

OPINIÃO | CARLOS ALBINO

Nesta matéria, a da água, que por vezes não é tão líquida como parece, o Algarve ainda não está muito mal porque não deixámos de nos sentir mais ou menos bem… E longe o agoiro! Mas devemos e temos de refletir sobre a questão. Para já, uma reflexão que implica os comportamentos. Todos sabemos que, de modo geral, os municípios algarvios se preocupam com a questão, alguns até adotam medidas pioneiras que nem todos compreendem porque ainda nos sentimos mais ou menos bem, mas muita coisa não pode continuar em roda livre, se queremos prevenir-nos perante o pior. Não é apenas a água para as torneiras e a água para as regas agrícolas para a cobertura dos bens e usos chamados de primeira necessidade. É também a água do mar que sobe, a água usada nos paraísos do golfe e a água das milhentas piscinas frias e quentes, muito disso sem planeamento adequado, integrado ou feito em função do mais que provável e previsível. Nesta matéria de incúria têm dominado os desenraizados e os paraquedistas. Estes estão nas tintas para o Algarve, estão-se nas tintas para o futuro do Algarve. Não participam nem querem participar, aceitam medidas a contragosto e antes da imposição continuam a viver como se estivessem nas nuvens. Autointitulam-se “investidores” mas, fazendo bem as contas, o Estado e as Autarquias investem mais nesses desenraizados e nesses paraquedistas do que estes nas Autarquias e no Estado. Ao longo de séculos, o Algarve teve disto, desenraizados e paraquedistas com os respectivos “cônsules” locais, e esse é e foi sempre o maior problema da reclamada identidade do Algarve. Estará aqui a explicação para como nunca foi, não é e possivelmente não será possível, promover um fórum credível de discussão sobre o Algarve. Se gritamos para o Caldeirão ou para a zona das serras, não há eco de resposta. Se gritamos alerta para a zona do mar, onde implantaram os maiores erros de uso do território, até que pode e deve falar, responde que não tem voz ou que está rouco. Viu-se e comprovou-se com a questão do petróleo e gás natural, a propósito da qual, eminentes cabeças, algumas doutoradas, surgiram em defesa do inacreditável fazendo crer que sabiam mais que Deus ao sétimo dia.

Por agora, o sistema aquífero de Querença/Silves tem sido uma benesse infalível vinda da profundidade da terra, o mar ainda apenas brinca como criança nos seus avanços e recuos, e os epicentros até sido coisas ara esquecer, quer nas torres construídas em áreas instáveis, quer nos ninhos da minha felicidadezinha alcandorados nas arribas. As barragens vão aguentando e os dramas não são comparáveis aos de outras regiões por onde até há pouco corria mel. Mas os erros são tantos à vista desarmada que já não há tempo para os corrigir, nem recursos para os emendar e muito menos capacidade para enfrentar algum inesperado.

Perante o previsível e o provável, apenas há tempo para refletir, e, enfim, para alguma prevenção e alguns simulacros. Só que até a reflexão tarda.

Flagrante desperdício: Por aí, aqui e além, muito, muito dinheiro gasto em divertimento ou em pseudofestivais que cheira a comissão pelo meio, ignorância no princípio e brincadeiras de adolescentes tardios no fim. A todos teremos que dizer – Obrigado pelo desperdício!

Carlos Albino

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