Rússia aprova censura à internet

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Com o pretexto de “combater a pornografia e a violência”, a Rússia aumenta o controlo governamental sobre a internet. Vários websites já se uniram em protesto.

O Parlamento russo aprovou ontem por unanimidade um projeto-lei que permite ao Governo controlar o conteúdo publicado na internet.

O diploma, concebido para combater a pornografia infantil, a promoção do uso de drogas e o suicídio juvenil, espera agora pela assinatura do presidente russo Vladimir Putin.

A oposição teme que esta medida seja apenas o princípio de algo semelhante ao que já acontece na China, onde existe um controlo cerrado que bloqueia o acesso a vários sites estrangeiros, como o YouTube.

Sites russos temem “grande firewall da China”

Perante os protestos, o Parlamento teve em conta algumas das preocupações dos críticos a esta nova legislação e retirou a linguagem mais vaga que deixaria à interpretação das autoridades aquilo que é ou não considerado “conteúdo impróprio”, como relata o jornal inglês “The Guardian”.

Mesmo assim, alguns dos sites russos mais visitados já se uniram em protesto. O motor de busca Yandex, a plataforma de blogs “LiveJournal” e a versão russa da Wikipédia encerraram o acesso às suas páginas.

Com a inciativa do fecho temporário, os sites quiseram alertar para o que será a “criação da versão russa do grande firewall da China”, como se pode ler no comunicado deixado na página inicial da Wikipédia russa, entretanto já reaberta ao público.

China censura conteúdo “anti-partido” e “anti-sociedade”

Na China, a administração estatal da Rádio, Cinema e Televisão (SARFT) disse esta semana, em comunicado, que vão entrar em vigor novas regras de censura para os vídeos transmitidos online.

A censura irá refletir-se numa triagem prévia que excluirá qualquer conteúdo considerado impróprio pelas autoridades.

Tal como a Rússia, e em coerência com o que já acontecia, a China justifica a medida em prol da luta contra a pornografia, violência, pedofilia, uso de drogas e outros conteúdos que considera questionáveis.

No comunicado publicado pelo SARFT, não há uma definição do que é considerado impróprio ou questionável, podendo abrir caminho ao livre-arbítrio na seleção dos conteúdos.

O porta-voz do Youku, o site de vídeos online mais visitado na China, citado pela BBC, afirma que “nada com conteúdo vulgar ou violento irá passar. Se tiver conteúdo antipartido ou antissocial, definitivamente que não passará. Nenhum site irá permitir tal conteúdo”.

Mariana Corrêa Nunes (Rede Expresso)