Ondas galgaram areais e provocaram estragos avultados (c/fotogaleria)

A fúria do mar causou importantes prejuízos no litoral algarvio, ao início da noite da passada segunda-feira, com as zonas marítimas de Portimão, Carvoeiro e Ferragudo a serem as mais castigadas pela forte ondulação. Os estragos ainda estão a ser contabilizados, mas são certamente avultados. População e autarquias dão conta de “ondas gigantes” que invadiram ruas, estradas e estabelecimentos comerciais. Em muitos casos, o trabalho de uma vida foi destruído pela fúria da tempestade

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Ondas de grandes dimensões provocaram estragos em vários pontos da costa algarvia, ao início da noite da passada segunda-feira, com a força do mar a assustar pessoas e a provocar prejuízos em apoios de praia, restaurantes e estruturas marítimas.

A marina de Portimão foi uma das zonas mais afetadas pelo temporal, que ganhou força devido aos efeitos da conjugação da forte ondulação de sul e da maré-alta.
O mar galgou o areal e destruiu as instalações da área desportiva e do NoSoloAqua Café, assim como os apoios de praia da marina, deixando atrás de si um cenário de devastação.

Num primeiro balanço, a Câmara de Portimão adiantou que “os prejuízos materiais concentraram-se na zona da Praia da Rocha, nomeadamente na área desportiva, na piscina do NoSolo Café, apoios de praia e o próprio areal da chamada praia da marina de Portimão, tendo ainda se verificado a inundação de alguns acessos, entre outros estragos”.

A praia e a baixa de Carvoeiro, no concelho vizinho de Lagoa, também foram “invadidas” pela fúria do mar, que arrastou para dentro desta localidade muita água e pedras, provocando estragos elevados em diversos restaurantes. A sede dos escuteiros locais também foi afetada.

“Ondas gigantes com inaudita violência”

“A fúria do mar causou importantes prejuízos no litoral de Lagoa. Carvoeiro e Ferragudo voltaram a ser castigados”, frisou a câmara municipal após a passagem do temporal pelo concelho.

A população e a autarquia salientam que as “ondas gigantes” do passado dia 6 de janeiro “sacudiram e destruíram, com inaudita violência, as zonas baixas e de comércio das vilas de Carvoeiro – onde causaram muitos prejuízos – e Ferragudo, invadindo espaços públicos de circulação pedonal e rodoviária”.

“Esta zanga do mar com os humanos provocou danos na praia do Pintadinho, chegando até ao parque de estacionamento, na Praia dos Caneiros, onde a violência das ondas acrescentou cerca de 1,5 mestros de altura de areia, na Praia Grande, onde as constantes investidas e recuos das ondas chuparam as areias e deixaram detritos por tudo quanto é sítio, chegando às passadeiras de madeira, o mesmo tendo acontecido com maior ou menor gravidade nas praias de Benagil, Vale de Centeanes, Algar Seco, Carvalho e Molhe – algumas entre outras – danificando estruturas e apoios de praia, nomeadamente na área da restauração”, refere a Câmara de Lagoa, que ainda está a contabilizar os prejuízos materiais, que se presumem “muitíssimo avultados”.

Como referimos, no Carvoeiro, as águas entraram praia dentro, invadiram os espaços pedonais e rodoviários, danificaram gravemente restaurantes e outros apoios de praia e causaram graves prejuízos nas instalações do agrupamento de escutas 1131 S. Vicente, que ficaram seriamente danificadas.

O presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Francisco Martins, já prometeu que “a autarquia tudo fará para minimizar os prejuízos”, tendo determinando, de imediato, a atuação de máquinas e pessoal do município para se proceder à remoção de entulhos, detritos e limpeza da via pública.

Mar “visita” estabelecimentos comerciais

Na Praia do Molhe, em Ferragudo, o restaurante ficou totalmente destruído. “A atividade de uma vida destruída pela fúria da tempestade”, lamenta a autarquia em comunicado.

O mesmo cenário repetiu-se em Armação de Pêra e Quarteira, onde a forte ondulação fez a água “visitar” estabelecimentos de restauração e apoios de praia. Em Armação, as marés vivas também destruíram os pavilhões dos pescadores.

Para além dos danos materiais, a agitação marítima assustou ainda um grupo de adolescentes que decidiram tomar banho em Quarteira. Os 12 jovens, todos estrangeiros, tiveram de ser socorridos pelas autoridades marítimas.

Já em Lagos, o mar “engoliu” completamente o areal das praias e atingiu os paredões, mas não há danos graves a assinalar.

As condições meteorológicas adversas forçaram o encerramento de várias barras no barlavento algarvio.

NC/JA