JOÃO LEAL

 CRÓNICA DE FARO

A Propósito do Arco da Vila

O excelente estudo do Mestre Marco Sousa Santos, considerado membro do CEPHA (Centro de Estudos de Património e História do Algarve), publicado recentemente em “Jornal do Algarve” (Magazine – n.º 2883, de 28 de Junho, p. 8) deu-nos o oportuno ensejo de lançar meia dúzia de apontamentos alinhavados a propósito do mais mediático monumento da capital algarvia e um dos seus assinalados ex-libris.


A nossa plena e total discordância com a imediata necessidade de ser elaborado o conjunto de atos que assinalem o duplo centenário do Arco da Vila a ocorrer a 25 de Outubro, próximo, uma vez que foi inaugurado naquela mesma data corria o ano de 1812 e sendo responsável pelo Bispado do Algarve, esse autêntico “Marquês do Pombal”, no que a obras públicas e progresso da Diocese se refere, que foi o Bispo D. Francisco Gomes do Avelar, com artístico monumento (talvez o mais belo que Faro tem na reduzida escassez de obras de arte evocativa ou de referência que são seu património e situado na praça maior citatina, o belo Largo da Sé).


Deviam as mesmas ter-se iniciado com a solene festividade do padroeiro do burgo, nessa bela estátua, vinda de Itália, de São Tomás de Aquino e ocorrida, como o é do calendário litúrgico, a 28 de Janeiro. Não o foi porque ninguém teve o mérito como Mestre Marco Sousa Santos de chamar a atenção para o duplo centenário do monumento que substituiu uma antiga porta de acesso à “Vila-a-Dentro”. Mas, como diz o provérbio popular, “águas passadas não movem moinhos”, há sempre seguro ensejo para recordar o santo que, conforme atestam os biógrafos a seu saber era tanto como a sua santidade.


De resto, a Diocese, o Município, a Delegação da Secretaria de Estado da Cultura e outras entidades, sem excluir as do foro da cidadania, porque estas inclusões são referências vivas do ativo democrático, têm que se unir numa expressiva, ativa e representativa equipa para assinalar estes duzentos anos da obra monumental saída do querer de D. Francisco Gomes do Avelar (1739/1816) e do lápis e engenho do famoso arquiteto italiano que o egrégio prelado mandou vir para o Algarve, o italiano Francisco Xavier Fabri (1761/1817).


Entretanto importa referir que se impõem obras e aproveitamentos do Arco da Vila como o sejam: a sua caiação de há muito necessitada; o eliminar de fios e mais fios (eletricidade, telecomunicações, etc), que se espalham pela face e contra-face; a sua cuidada, permanente e artística iluminação, em ambos os lados; o aproveitamento das magníficas condições de excelente miradouro que o corredor que corre ao seu longo no lado traseiro, desde as instalações do edifício do ex-governo civil ao imóvel do Posto de Turismo e donde se divisa um dos mais belos panoramas da Vila-a-Dentro e onde poderia funcionar, inclusive um café-esplanada para gáudio de turistas e residentes; a eliminação, com outra sinalética, daqueles “ofensivos” sinais de proibição de trânsito, logo na entrada; o restauro e proteção das lápides existentes, com inscrições em latim e dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e a S. Tomás de Aquino e, talvez, sem desvirtuar a verdade, a beleza e a estética do edifício, o poema e a “estória” resumida do poema de Afonso X, o Sábio, de Castela, nas suas “Cantigas de Santa Maria”.

  • António Bernardo

    Subscrevo por baixo.