“Hospital central é uma exigência do Algarve”

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O presidente da ARS considera “imprescindível” a construção do Hospital Central do Algarve, um projeto que se arrasta há vários anos sem fim à vista. Enquanto isso não acontece, Martins dos Santos está a apostar numa reestruturação de serviços, com vista à redução de despesas, mas também para garantir que o adiamento do novo hospital não comprometa nem coloque em causa a prestação de cuidados de saúde na região.

Em declarações esta semana ao JA, o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Martins dos Santos, comentou o atraso da construção do novo Hospital Central, no Parque das Cidades, um projeto considerado há muito como uma “prioridade nacional”, mas que teima em não sair do papel.

“Todos nós sabemos que, pela situação difícil que o país atravessa, não há capacidade para iniciar de imediato a construção da nova unidade hospitalar, que se tem vindo a arrastar em promessas durante os últimos anos e que apenas o espaço onde será edificado é real”, adiantou o presidente da ARS, que tomou posse há cerca de oito meses.

Martins dos Santos recordou que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, mantém a visão de que o novo Hospital do Algarve é “uma prioridade nacional”. No entanto, explica, “atendendo à atual situação financeira, é necessário encontrar as condições e o enquadramento financeiro mais adequado para a sua construção”. Em suma, o Governo não tem dinheiro nem para projetos fundamentais…!

O responsável revelou que a situação da parceria público-privada para a construção do hospital encontra-se em estudo, “não existindo a curto prazo condições para se poder avançar”.

De qualquer forma, adiantou Martins dos Santos, “consideramos esta futura infraestrutura imprescindível para a região, além da necessidade real e objetiva, uma exigência do Algarve, e será sempre nessa perspetiva que iremos pugnar para que seja uma realidade”.

Reduzir despesa, ampliar eficácia

Mas será que o setor da saúde no Algarve pode aguentar mais uma década sem o novo hospital? O presidente da ARS diz que muito dificilmente, mas também espera concretizar o projeto nos próximos quatro anos. “Na nossa opinião, é indispensável avançar com a construção do Hospital do Algarve no Parque das Cidades, como forma de dar resposta às necessidades da região, da população residente e de quem nos visita, e é nossa convicção de que este será concretizado ainda durante o nosso mandato.”

Contudo, para que este desígnio seja uma realidade, Martins dos Santos salienta que “é imprescindível, em primeiro lugar, assegurar o equilíbrio financeiro do Serviço Nacional de Saúde”, porque só dessa forma “será possível garantir a acessibilidade e a qualidade dos serviços prestados e a prestar aos cidadãos”.

É nesse sentido que a ARS Algarve tem vindo a implementar medidas de redução da despesa, “através de um levantamento criterioso para identificar áreas ou setores onde possamos reduzir custos, reestruturar serviços, reorganizar procedimentos, de modo a ampliar a eficiência”.

Apesar do esforço para reduzir despesas, o responsável garante que a principal preocupação da ARS será sempre “conjugar estes fatores de forma a nunca comprometer nem colocar em causa a prestação de cuidados de saúde”.

“A reestruturação e a reorganização dos serviços são fatores inevitáveis, essenciais e estratégicos para a sustentabilidade da saúde na região e que pretendemos levar a cabo através de uma conjugação estruturada, rigorosa e responsável entre os cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde hospitalares”, frisa Martins dos Santos, acrescentando que, no âmbito dos cuidados de proximidade, “também estamos empenhados em criar condições para a redução do número de utentes sem médico de família (através do incremento das Unidades de Saúde Familiar) e, na área hospitalar, fomentar a ligação entre o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio e o Hospital de Faro, de modo a potenciar as especialidades com menos recursos e desta forma garantir maior oferta em termos de quantidade, qualidade e de continuidade”. É nesse sentido que a ARS tem vindo a propor a criação do Grupo Hospitalar do Algarve.

Nuno Couto/Jornal do Algarve