Há pais que não querem os filhos por perto, nem para passar o Natal

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Chegam aos centros de acolhimento com graves problemas de comportamento, mas também com grandes carências afetivas. Alguns nunca souberam o que é um abraço ou um beijo dos pais. Visitámos o Centro de Acolhimento Temporário da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real de Santo António e contamos-lhe algumas destas histórias. E algumas são mesmo de arrepiar

DOMINGOS VIEGAS

Este ano, só três dos 17 jovens que estão no Centro de Acolhimento Temporário da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real de Santo António vão passar o Natal com as respetivas famílias. Trata-se de uma situação inédita naquela instituição, mas que, infelizmente, começa a ser transversal a instituições do mesmo género.

Ao contrário do que se possa pensar, a maioria destes casos não acontecem por falta de condições dos progenitores ou da restante família. A realidade é muito mais dura. Alguns destes jovens não irão a casa, simplesmente, porque os pais não os querem por perto.

Trata-se de jovens que se tornaram problemáticos, que apresentam problemas de comportamento social básico e, alguns, inclusivamente, de toxicodependência. Mas, estes mesmos jovens, também chegam a estas instituições com grandes carências afetivas. Alguns deixaram de ter o carinho dos pais quando começaram a crescer, outros nunca souberam o que era um beijo, um abraço, ou nunca sentiram uma simples preocupação, da parte de quem os trouxe ao mundo.

É uma dura realidade que acaba por explodir nas mãos dos profissionais que integram as equipas destes centros de acolhimento. Profissionais que, diariamente, prestam os seus serviços e dão o melhor que podem e sabem para acompanhar estes miúdos desde o momento em que ingressam nestas instituições, para onde são enviados pela Segurança Social ou pelas comissões de proteção de crianças e jovens.

“Sempre tivemos casos de pais que podiam não telefonar nem passar por cá durante todo o ano, mas nesta altura recebiam os filhos. Eles ou outros familiares. Mas este ano, nem isso. É uma situação muito rara, mas já está a acontecer, por isso este ano vamos ter a casa cheia”, lamenta Sílvia Dourado, psicóloga clínica que integra a equipa do centro de acolhimento gerido pela Santa Casa da Misericórdia da cidade pombalina…

…(Reportagem completa na edição impressa do Jornal do Algarve que está nas bancas desde quinta-feira)

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