FERNANDO REIS

 Editorial

O buraco da Madeira

Confesso que, ao contrário de alguns, nunca achei graça às piadas de Alberto João Jardim e ainda menos às suas diabruras. Sempre vi no seu discurso contra o continente, a maçonaria e os comunistas, uma forma engenhosa de levar os nossos governos a aceitarem alimentar a sua obra megalómana e o seu insaciável despesismo. Uma estratégia montada para o eternizar no poder como, efetivamente, veio a acontecer. E não duvidem que vencerá, mais uma vez, as eleições regionais.No meio do escândalo do buraco do deficit das contas da Madeira de 2010, que vai já em mais de 1800 mil milhões de euros e não se sabe se ficará por aqui, há dois aspetos que não podemos deixar de sublinhar; o à-vontade com que o “senhor” da Madeira assume ter escondido deliberadamente a situação e, pelo menos, até à data do fecho desta edição, o silêncio do Presidente da República. Quer dizer que, enquanto no continente, os portugueses eram obrigados a uma enorme austeridade e o governo a uma contenção nas obras públicas, Alberto João Jardim continuava a gastar e esbanjar, indiferente à crise, como se a Madeira não entrasse nas nossas contas. O que Jardim fez, foi gastar o que é nosso, de todos os portugueses e, perante isto, não pode haver silêncios nem contemplações.E apesar dos cortes que começam a ser perspetivados nas verbas a transferir para as finanças regionais em 2012, o buraco acabará por ser pago por todos nós, com mais medidas de austeridade, enquanto a Madeira continuará a ser um jardim!