FERNANDO REIS

 EDITORIAL – De imposto em imposto até à ruína total

O agravamento da carga fiscal sobre os contribuintes, conjugado com os aumentos do gás, da eletricidade, das taxas moderadoras, dos juros e a redução das comparticipações nos medicamentos e nos serviços de saúde, está a lançar o país para uma recessão profunda e sem precedentes.


Já não são apenas as vozes do cidadão comum e dos partidos da oposição que se fazem ouvir. O descontentamento sobre esta onda de aumentos, particularmente dos impostos, começa a manifestar-se dentro do próprio PSD. Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Morais Sarmento, Rui Rio e Manuela Ferreira Leite, não poupam o governo por esta medidas que, dizem, não estavam previstas nem foram anunciadas durante a campanha eleitoral. Dizem eles e dizemos todos nós, que continuamos a não ver cortes do lado da despesa. O Estado continua gordo e os cidadãos cada vez mais magros. Já não é so o povo que está a pagar a crise, a classe média está a ser esfolada de uma forma escandalosa e as pequenas e médias empresas a comerem “o pão que o Diabo amassou”, por entre novos buracos financeiros que se vão descobrindo, como o dos 500 milhões de euros da Madeira e negociatas para a alienação de empresas públicas, como a RTP e a TAP, numa lógica ruinosa para o Estado. Como aconteceu no caso BPN, o Estado salda primeiro as dívidas dessas empresas com o dinheiro dos contribuintes, para as entregar, depois, livres de quaisquer dívidas aos novos proprietários.


Não se compreende esta insistência do governo em levar mais longe do que as diretrizes da Troika o  aumento de impostos, numa espiral que, de imposto em imposto nos pode levar à ruína total.


Dizia há dias Miguel Sousa Tavares – com quem normalmente discordamos por causa do seu ódio primário aos professores – que os portugueses começam a não ter outra alternativa para resistir que não seja através da emigração. E efectivamente pelo rumo que o país está a levar, começa a nescer uma nova geração de emigrantes que, infelizmente, vai ter que abandonar o país para poder sobreviver.

Que triste fatalidade, esta, que há séculos nos persegue?

  • (Ze)2

    Só que anteriormente se tratava em geral de mão-de-obra pouco classificada embora com grande capacidade de desenrascanço,…, agora são os trabalhadores mais qualificados e os técnicos especializados que abalam … não só para a Europa mas também para os países de economia “emergente”, Brasil, Angola, China etc…

  • (Ze)2

    Só que anteriormente se tratava em geral de mão-de-obra pouco classificada embora com grande capacidade de desenrascanço,…, agora são os trabalhadores mais qualificados e os técnicos especializados que abalam … não só para a Europa mas também para os países de economia “emergente”, Brasil, Angola, China etc…