Europa vai acabar com o lixo espacial que destrói satélites

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Chama-se Clean Space e é uma iniciativa da Agência Espacial Europeia (ESA) que quer acabar com o lixo espacial da órbita baixa da Terra que avaria satélites e naves.

Utilizar novos materiais, optar por diferentes métodos de fabrico e desenvolver novas tecnologias na indústria espacial, são os objectivos da Clean Space, uma iniciativa lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA), organização a que Portugal pertence, que quer acabar com os estragos provocados pelo lixo espacial.

Dos seis mil satélites até hoje lançados para o espaço, só mil continuam operacionais, o que significa que existem na órbita baixa da Terra (entre 160 km e 2000 km de altitude) dezenas de milhares de fragmentos de lixo espacial que podem chocar com satélites e naves espaciais, destruindo equipamentos e pondo em risco a vida dos astronautas.

A uma velocidade de média de 7,5 km por segundo ou mesmo mais, basta um simples parafuso de dois centímetros para avariar um satélite de comunicações que é usado por milhões de pessoas e de organizações na Terra. Os 5000 satélites abandonados têm tendência a fragmentar-se pela explosão das suas baterias ou dos restos de combustível.

Avaliação do impacto ambiental

O Clean Space vai envolver a avaliação do impacto ambiental dos próximos projetos espaciais da ESA, bem como a monitorização dos efeitos prováveis da nova legislação europeia e de âmbito nacional sobre a indústria espacial.

Aspectos fundamentais para o cálculo dos efeitos no ambiente das tecnologias espaciais, tanto na Terra como no espaço, serão a conceção, desenho inicial, fabrico e fim de vida de satélites e naves. Ou seja, a ESA pretende fazer uma avaliação de todo o ciclo de vida dos equipamentos espaciais.

A Agência Espacial Europeia está também a estudar várias formas de minimizar a futura produção de detritos espaciais nos próximos 25 anos, como o desenvolvimento de amarras ou velas para rebocar satélites abandonados.

Evitar a queda de fragmentos na Terra

E há questões relacionadas com a segurança que estão também a ser debatidas pelos especialistas da ESA. Com efeito, a desintegração dos satélites que deixam de funcionar e reentram na atmosfera da Terra tem de ser um processo mais seguro, de modo a que não embatam fragmentos no solo.

“Se estamos convencidos de que as infraestruturas no espaço se irão tornar cada vez mais essenciais, então temos a obrigação de passar o ambiente espacial às próximas gerações tal como o encontrámos, no seu estado primitivo”, afirmou Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da ESA, no lançamento da iniciativa Clean Space, que se realizou no centro técnico da organização, em Noordwijk, na Holanda.

No filme de ficção científica “Gravity”, que se vai estrear em 2013, o conhecido ator George Clooney faz de astronauta e aparece precisamente numa nave encalhada em órbita baixa por causa do lixo espacial.

Virgílio Azevedo (Rede Expresso)