Engenharia genética de bebés é uma “obrigação moral”

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Reputado académico de Oxford defende a alteração das leis, argumentando que criar crianças eticamente melhores deveria ser encarado como uma “obrigação moral” de pais responsáveis

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Utilizar a engenharia genética para evitar o nascimento de potenciais psicopatas ou alcoólicos é a ideia defendida por Julian Savulescu, um reputado professor da Universidade de Oxford, num artigo publicado na última edição inglesa da “Reader’s Digest”.

A engenharia genética é proibida por lei, para evitar que se repitam práticas discriminatórias, semelhantes às dos movimentos eugenistas, desenvolvidas pelos nazis na Segunda Guerra Mundial, que agora teriam um potencial muito maior devido ao avanço da ciência.

O académico chama contudo a atenção que estamos no meio de uma revolução genética e que cada vez se está a perceber melhor como certos marcadores genéticos dos embriões sugerem futuras característica de personalidade, argumentando que se deveriam utilizar esse conhecimento para criar uma futura sociedade mais inteligente e menos violenta.

Garantir as possibilidades para uma boa vida

Savulescu, austríaco romeno, é especialista da área da bio-ética, professor de Prática Ética em Oxford e editor do “Journal of Medical Ethics”.

“Certamente que tentar garantir que as vossas crianças terão as melhores, ou suficientemente boas, possibilidades para uma boa vida é uma parentalidade responsável?”, questiona no artigo citado pelo “Telegraph”.

Savulescu recorda que o controle genético de embriões já é permitido para evitar determinadas doenças, nomeadamente o síndrome de down ou mesmo em relação a genes potencialmente cancerígena, argumentando o que já não está muito longe de criar da engenharia genética.

O académico defende que a prática deveria ser voluntária e não forçada como ocorreu na Segunda Guerra Mundial.

Alexandre Costa (Rede Expresso)