CRÓNICA DE FARO: O Mercado de Faro – uma herança mediterrânea

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Ao longo dos séculos sempre os mercados, independentemente da sua durabilidade, foram local, não apenas de transacções comerciais, mas de convivência entre as populações, de entretenimento e discussão e do tomar do saber do que se passava pelo mundo em fora. Assim aconteceu com o mercado público e diário da cidade de Faro, que conheceu várias e diferentes localizações até à sua implantação no final da década de quarenta do século passado, segundo o projeto do arquiteto Jorge de Oliveira, que por aqui deixou um conjunto de obras notáveis. Toda a história em redor desta temática veio a público em mais um livro editado pela AmbiFaro (empresa municipal), quando ainda presidia aos seus destinos o Eng. Bruno Lage, que entretanto foi eleito presidente da União de Freguesias da Sé e São Pedro, optando pelo exercício destas funções autárquicas.
Intitulado “O Mercado de Faro – Uma Herança Mediterrânea” resulta dos trabalhos desenvolvidos pelos investigadores Sofia Fonseca, Daniela Pereira e Vítor Ribeiro, que realizaram uma autênctica viagem de milénios, quer nas rubricas “Os mercados, refleco do Mediterrâneo – do século XV à atualidade” ou com a antecedência temporal de “Os mercados: breve sinopse histórica”, até uma mais completa descrição do que à hoje capital sulina se refere e à sua implantação no ex-Largo do mercado, hoje praça Dr. Francisco São Carneiro, dando origem a uma “cidade em quarto crescente”.
Toda esta obra, de invulgar interesse para o burgo e para a região, aborda temas como: “Os espaços de troca no tecido urbano de Faro”, “Século XVI-XIX – As alterações arquitetónicas e as mudanças funcionais do espaço”, “Século XIX – Progredindo para os mercados cobertos”, “Da Praça da Rainha ao Campo de São Luís: apontamentos para a história dos mercados cobertos na cidade de Faro”, “O Mercado da Doca: do projeto de Cristino da Silva à construção que não chegou a ser”, “O anteplano geral de urbanização de Faro e a definição do Campo de São Luís como destino final do Mercado Municipal da Cidade”, bem como toda a história que envolve o atual edifício, após as importante obras de renovação e ampliação.
“O Mercado de Faro – uma Herança Mediterrânea”, um estudo sério, meticuloso e completo pelo qual merecidamente se felicita a AmbiFaro.

João Leal

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