CRÓNICA DE FARO: Manuel Rodrigues, um comunicador!

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Durante alguns anos tivemos o grato ensejo de com ele trabalhar na ex-rádio Santa Maria, que era uma voz de Faro aberta ao mundo e, de modo próprio, quando o então a fazer rádio o era uma aventura inebriante que atraía e provocava uma dedicação plena. Durante muito anos usufruímos do ensejo de o escutar nas múltiplas intervenções que fazia quer na comunicação social, de que é testemunho vivo o “Mais Algarve”, um dos melhores blogues de índole regional e que prossegue o sonho e a vocação do Manel, do Idelberto e do seu amar Faro e o Algarve, como em eventos por aqui havidos. Manuel Silva Rodrigues, nascido em Alte a 31 de Maio de 1948, viveu alguns anos em Moçambique donde retornou e se fixou na capital sulina, sendo, para além de jornalista, funcionário bancário, de que se encontrava aposentado e aqui faleceu, vítima de doença súbita e rápida aos 68 anos de idade, no dia 23 de Novembro de 2016. Há dias, numa prestante iniciativa da União de Freguesias de Faro (Sé/São Pedro), decorreu no auditório do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude) uma singela e significativa homenagem, durante a qual o dedicado presidente daquela autarquia, Joaquim Teixeira, apontou que com o seu desaparecimento “o Algarve perdeu um grande comunicador, de que era uma empenhada voz”, realçando a serenidade, o rigor e o profissionalismo, que eram seus timbres e fazendo entrega à viúva (“o Manel não tinha a noção de quanto era válido…”) do galardão merecido e devido. Antes a Dra. Ana Maria Rubem proferiu uma conferência que o foi uma verdadeira lição sobre “O voluntariado”, terminando a mesma com o poema “Posso”, da autoria de seu pai, Rubem Santos, o dedicado presidente da Casa dos Açores no Algarve, escrito na Califórnia no ano 2000 e que se nos revelou um poeta de raro nível.
A homenagem ao sempre lembrado Manuel Rodrigues, cuja voz a cada instante paira na nossa lembrança, teve uma excelente segunda parte com a atuação desse homem que tanto tem trabalhado pela cultura em terras do Algarve, Afonso Dias a falar e a cantar Zeca Afonso no 30º aniversário do seu falecimento e com um enfoque próprio no período em que o autor da “Grândola Vila Morena”, canção escrita em Faro, aqui nos anos sessenta educou num magistério operante e formativo. Foi um viver sobre “a canção é uma arma…”, o que era o Dr. José Afonso dos Santos e o que foi o seu testemunho sempre iluminado por ideais maiores.

João Leal

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