CRÓNICA DE FARO: “Faro Lendário”

OPINIÃO | JOÃO LEAL

É uma obra literária e de investigação histórica, do mais elevado interesse citadino, aquela que com o merecido enquadramento foi apresentada no Museu Municipal de Faro, ali em pleno coração daquela urbe de lendas e estórias, que é a “Vila-a-Dentro”. “Faro Lendário”, assim se denomina o livro, numa feliz e oportuna iniciativa da empresa municipal Ambifaro, a que o eng. Bruno Lage preside, bisneto (Cruz Azevedo que foi delegado regionalista, durante décadas do saudoso diário “O Século” e o grande mentor do monumento ao poeta e pedagogo João de Deus) e neto de jornalistas (Hélder Azevedo, a alma grande só desaparecido mensário “Algarve Ilustrado” o obreiro, no que à fotografia importa, do sonho do pintor Carlos Porfírio quanto ao Museu Etnográfico Regional) fica como um referência que se lê e relê como uma oração erguida a esta cidade querida onde, há quase oitenta anos, nascemos. É seu autor o ilustre investigador e douto professor universitário, um farense da melhor água, o professor Dr Jorge Carrega que, com uma simplicidade e um labor paralelos em dimensão e valor, continua a trabalhar a todo o instante no que foi este Algarve de tempos idos.
Acresce que “Faro Lendário” está recheado de extraordinárias ilustrações saídas desse génio artístico que é o designer Marco Valle Santos.
O livro em merecido apreço e que bem importa seja lido e retido pelos franceses, entendendo-se como tal não apenas os que aqui nasceram, mas com muito afecto aqueles muitos outros que escolheram esta “Terra de Santa Maria” para seu lar, comporta para além de dúzia de lendas apresentadas à luz de um rigor científico outros elementos de profundo interesse, como as notas históricas e biográficas, os monumentos em destaque, a biliografia, etc. constituindo um verdadeiro guia da capital sulina.
A apresentação escrita por esse servidor do concelho, trabalhador operoso e voluntário de todas as boas e grande causas, que é o eng. Bruno Lage sintetiza bem os objectivos que nortearam a edição pela Ambifaro do “Faro Lendário”: “Numa era de crescente globalização, esta importante herança cultural assume um papel fundamental no reforço da identidade das populações locais e não só permite compreender melhor o passado, como constitui um precioso recurso histórico e cultural”.

João Leal

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