CRÓNICA DE FARO: Dois servidores do Algarve

OPINIÃO|JOÃO LEAL

Durante quase quatro décadas deram o melhor de si mesmos em prol da comunidade algarvia, extravasando a sua ação, que muito já o seria e pela qual vieram para a nossa Região, os padres e irmãos gémeos José e Afonso Cunha Duarte, que ora regressam à sua freguesia natal do Bustelo (concelho de Penafiel), onde nasceram em 1940.
Mais do que as paróquias onde exerceram o ministério eclesiástico (São Brás de Alportel, Santa Catarina da Fonte do Bispo, Cachopo, Olhão, etc.) eles que são membros da Congregação do Espírito Santo (espiritanos), aí exercendo uma ação direta, realizaram obra de índole cultural e social, que extravasa a todo o Algarve e se expande País em fora, justificando-se em plenitude as Medalhas Municipais, que lhes foram atribuídas pelos Municípios de Faro (Grau Ouro – 10 de Outubro de 1988), de Tavira (Grau Prata – 24 de Junho de 2006) e São Brás de Alportel (Insígnia de Honra – 1 de Junho de 2014).
Volvidos que são 36 anos deixam a nossa terra com “obra feita) e de elevado teor nos múltiplos campos a que dedicaram as suas inteligências e as suas vidas, de cara erguida não obstante alguns dedos apontados e reconhecendo-se que cada um tem o seu feitio próprio e não se pode agradar a todos. Pode-se sim e isso é da maior justiça que aconteça reconhecer o que foi a obra edificada pelos Padres Cunha Duarte, a quem prestamos o testemunho público do nosso apreço fraterno e da nossa gratidão relevante.
Recorda-se, para além da evangelização realizada como objetivo maior das vidas dedi-cadas à Igreja e aos homens, o impulso dado à criação do Museu do Traje Algarvio, que possui a maior recolha de arte sacra popular, de trajes de todo o Algarve, de alfaias e carros agrícolas e de artesanatos; a fundação da Escola de Música Paroquial, do Centro Cultural e Social da Paróquia de São Brás de Alportel, a Casa da Cultura António Bentes e o Grupo Juvenil de Acordeonistas; a edição do mensário “VilAdentro” e de livros da maior importância histórica (“Natal no Algarve – Raízes medievais”, “Algarve II – Teatro”, “Páscoa no Algarve – Procissão das Tochas Floridas”, “A República e a Igreja no Algarve”, “Aspectos da luta política e do republicanismo no contexto da Diocese do Algarve”, “João de Deus”, “Clérigo Minorista”, “São Brás de Alportel Memórias, Volume V, Monumenta Blasiana”, etc; a edificação das capelas nos sítios “serrenhos” de Países e Mesquita; a restauração da Festividade das Tochas Floridas, dos Jogos Florais do mesmo título, do “Festival dos Jovens Acordeonistas”, do Encontro de Poetas Populares, do Encontro de Charolas, etc., assim como a persistente actividade em prol do Arquivo Diocesano, numa súmula muita sumária do que foi o permanente e interessado empenho de ambos os sacerdotes que ora deicam esta terra sulina a que se dedicaram com uma determinação que se regista! Bem hajam!

Nota: O autor não escreveu o artigo ao abrigo do novo acordo ortográfico

João Leal