CRÓNICA DE FARO: Círculo cultural do Algarve, a “Fénix” renascida

OPINIÃO | JOÃO LEAL

De excelência para a cultura algarvia, consideramos a notícia havida da realização da assembleia primeira que marcou o reaparecimento legal do prestigiado Círculo Cultural do Algarve, instituição da maior valia durante décadas para a Região. Surgida em 1943, em plena II Grande Guerra Mundial, o Círculo de que nos recordamos a funcionar na rua Conselheiro Bívar, no vulgo rua do Chiado, com o seu “teatrinho de bolso”, onde vimos pela primeira vez e com encenação do sempre lembrado Dr. Emílio Campos Coroa, a representação de “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa.

Casa de cultura e de arte, de liberdade e de democracia, de encontro e de vivência, desapareceu, passo o paradoxo, em pleno tempo de liberdade, em 1978 (por onde andará a sua valiosa e completa biblioteca, que o grande enfermeiro que foi Roque de Figueiredo Simões, com enlevo e paixão tratava? E os muitos e valiosos quadros que emolduravam as paredes de várias salas?

Responda quem o puder, souber e dever fazê-lo…

No seu reaparecimento há que destacar, de entre outros a ação de frenesi, desenvolvida por esse cidadão de corpo inteiro e alma plena, que é o louletano, de há muitas décadas radicado em Faro José João da Ponte e Castro. É que, não obstante os seus oitenta e alguns anos, o Castro ou o José João, como por todos é conhecido, com uma vasta lista de serviços prestados à comunidade no desporto, na cultura e na política, teimou e conseguiu, correu Seca e Meca, aliciou muitas e variadas gentes, fez interessar o poder político juntando mais de 160 sócios, conseguiu que o Círculo Cultural do Algarve, fosse legalizado e elegesse os seus primeiros corpos gerentes nesta nova fase, que o vão fazer navegar com o sabor do seu brilhante historial, ocorrido entre as décadas de 40 e 70 do século XX.

Uma “tríade” de algarvios ilustres e votados, para além de outras, às causas da cultura encabeçam a Assembleia Geral (Dr. José Neves), direcção (Dra. Dália Paulo) e conselho fiscal (Dr. Álvaro Café), garante de que a “coisa” veio, desta feita, para ficar e realizar obra, como se espera.

Oxalá tal aconteça! Renasceu o Círculo Cultural do Algarve, de parabéns estão a cidade e o Algarve!

João Leal