CRÓNICA DE FARO: Ana Madalena Moreira, uma artista farense

OPINIÃO|JOÃO LEAL

 

A tri – secular festividade em honra de Nossa Senhora do Carmo, que decorreu, com grande brilhantismo, no templo da mesma invocação, uma dos mais belos da diocese algarvio, comportou uma excelente parte cultural, iniciada com um concerto dedicado ao cultu mariano e a intervenção da soprano lírico Ana Madalena Moreira e da pianista ucraniana Nataliya Kuznyetsova e encerrada com um memorável atuação do justificadamente aplaudido Grupo Coral Ossónoba, com mais de um milhar de concertos realizados por este mundo em fora.
Na primeira referência que constituiu uma das mais belas noites de arte acontecidas em Faro houve a enorme e grata surpresa de que aquela cantora lírica é natural de Faro, o que a esmagadora maioria desconhecia, incluindo-nos com a pretensa ilusão de saber-mos muito sobre a Terra Mãe. Com efeito e para que conste um dos nomes maiores do dito “belo canto português e europeu” nasceu nesta Cidade de Santa Maria ou de Ibn Harun, urbe onde iniciou os seus estudos musicais em 1987 com a professoa polaca marta Jaroszewicz. Dizem-nos que é neta desse saudoso amigo “Jardineiro – Poeta”, que foi Manuel José, Sabino como por todos era conhecido, que em simultâneo a cuidar da Cidade Verde nos brindava com os seus poemas, hoje reunidos em livro.
A excelência da voz e do poder interpretativo de Ana Madalena Moreira em obras de Vivaldi, Mozart, Bach, Caccini, Gounod, Schubert, Mascagni, Massenet, Verdi, Webber e Leavitt encantaram a reduzida plateia face à categoria da sessão musical que lhe tributou fortes, vibrantes e merecidos aplausos.
Para que conste escreva-se que esta faren-se, personagem brilhante e irradiante do panorama musical lírico, tem desenvolvido a sua atividade em recitais e concertos em Portugal, como ora aconteceu ao que cremos na sua terra natal pela vez primeira e no estramgeiro, alguns dos quais gravados para a RTP e RDP, a par da gravação de vários discos, um dos quais com o patrocínio do Ministério da Cultura, com música dos compositores portugueses Croner de Vasconcelos, Ivo Cruz e Vianna da Motta, o “Octadrum” (árias de ópera com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e um outro, já em Junho deste ano, integrando o grupo “Nella Fantasia”. Licenciada em Matemática (Universidade de Évora) e Canto (Escola Superior de Música de Lisboa), tem um vasto currículo artístico, no qual se inclui a co-fundação do Coro daquela universidade alentejana, a frequência de cursos na Áustria e na Itália, etc.
Uma farense que prestigia e honra a terra onde nasceu a nossa conterrânea soprano lirico coloratura Ana Madalena Moreira!

Nota: O autor não escreveu o artigo ao abrigo do novo acordo ortográfico

João Leal

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