Castro Marim: Estevens pondera avançar com candidatura independente

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Abandonou o PSD na última semana, devido ao facto da estrutura nacional do partido ter optado por recandidatar Francisco Amaral. José Estevens não confirmou se vai encabeçar uma lista independente, mas tudo indica que sim

DOMINGOS VIEGAS

José Estevens, ex-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, que abandonou o PSD na última semana “entregando” simbolicamente o cartão de militante através de uma carta aberta dirigida ao líder do partido, Pedro Passos Coelho, pondera avançar com uma candidatura independente nas próximas eleições autárquicas.

“Há muita gente que me tem incentivado a avançar com uma candidatura independente e essas pessoas estão na expectativa que isso aconteça, mas ainda estou num período de reflexão. Tenho estado em contacto com muitas dessas pessoas e, depois de terminar esses contactos, decidirei”, explicou o também já ex-presidente da concelhia social-democrata em declarações ao Jornal do Algarve.

Até à hora do fecho desta edição ainda não havia mais renúncias à militância no seio do PSD de Castro Marim, porém José Estevens não afastou a hipótese dessa situação poder vir a acontecer: “Até ao momento ainda não há, pois a minha saída do partido foi uma decisão pensada e tomada por mim. Mas não sei os efeitos que irá ter”, referiu, explicando que, para já, a liderança concelhia deverá ser assumida por um dos vice-presidentes.

Em causa está o facto da estrutura nacional do partido ter apoiado a recandidatura de Francisco Amaral à Câmara de Castro Marim pelo PSD, apesar da estrutura local ter escolhido José Estevens para encabeçar a lista.

Recorde-se que Estevens não se recandidatou nas últimas eleições autárquicas, devido à lei que limita os mandatos, e avançou em Tavira onde viria a ser eleito primeiro vereador da oposição. O PSD de Castro Marim escolheu Francisco Amaral, que não se pôde recandidatar em Alcoutim, e este acabaria por ser eleito. Porém, a estrutura local do PSD e Francisco Amaral entraram em choque e a ideia da concelhia passou a ser a de voltar a recandidatar José Estevens.

Questionado se uma candidatura independente não fragilizaria o partido, já que os votos naturais no candidato do PSD poderiam ser repartidos, José Estevens foi perentório: “Não tenho essa ideia. A nível local, e numa comunidade como Castro Marim, os partidos têm um peso relativo quando comparado com as pessoas. Se as pessoas acharem que eu sou a pessoa ideal não vão escolher outros”.

Na carta aberta dirigida a Passos Coelho (publicada na íntegra na edição online do Jornal do Algarve), José Estevens mostrou o seu desacordo com o facto da estrutura nacional do PSD ter decidido recandidatar Francisco Amaral, inclusivamente antes de ser conhecida a posição da concelhia.

“V. Ex.ª ao ter afirmado em conferência de imprensa, astuciosamente preparada, em 21 de janeiro, em Albufeira, que o atual presidente da Câmara Municipal de Castro Marim só não seria de novo candidato à câmara municipal se não quisesse, fez tábua rasa dos estatutos do partido, diminuiu a democracia, e reiterou tacitamente a célebre expressão ‘que se lixem as eleições’”, atira Estevens, na carta dirigida a Passos Coelho.

E remata com a referida entrega do cartão de militante: “(…) devolvo a V. Ex.ª o meu cartão de militante do Partido Social Democrata, reassumindo assim a minha liberdade, valor que considero primeiro entre os primeiros”.

Em declarações ao Jornal do Algarve, José Estevens considerou que o modo como os órgãos nacionais do PSD operaram a escolha do candidato “relega para segundo plano a democracia”, referindo ainda que “muita gente não se revê na gestão que o atual presidente está a fazer” e que “isso não foi minimamente tido em conta pelo partido”.

(Notícia publicada na edição impressa do Jornal do Algarve de 09/03/2017)