Carvalho da Silva despede-se da CGTP

É o último discurso do líder histórico da CGTP. Ao fim de 25 anos de liderança da maior central sindical portuguesa.

Será a intervenção inaugural do XII Congresso da CGTP. Está prevista para as 12h30 o discurso de Manuel Carvalho da Silva, que encerra, assim, 25 anos de liderança da Intersindical, a juntar a outros dez anos que anteriormente tinha acumulado como dirigente sindical. Arménio Carlos é o senhor que se segue.

Será no auditório principal das instalações da antiga FIL, em Lisboa, que Carvalho da Silva discursará para uma plateia, composta por cerca de 900 delegados ao Congresso. A lista de convidados fica um pouco abaixo das mil pessoas.

Rejuvenescimento inevitável

Manuel Carvalho da Silva sai por limite de idade, aos 62 anos. Com ele, saem muitas das actuais cúpulas da central sindical: 53 membros do actual Conselho Nacional da CGTP e metade dos membros da Comissão Executiva. A regra do limite de idade – introduzida nos estatudos da Intersindical no último congresso – obriga à maior renovação de quadros dirigentes da história da central sindical.

A saída de muitos dos dirigentes considerados históricos – entre eles Maria do Carmo Tavares, Ulisses Garrido, Amável Alves, entre muitos outros – vai obrigar a um rejuvenescimento inevitável. Mas, numa altura de crise e de promessa de maior contestação social, muitos temem que esta renovação e a mudança de líder fragilize a capacidade de intervenção da CGTP.

Arménio Carlos, 56 anos, ex-operário electricista da Carris, é a escolha para suceder a Carvalho da Silva. Membro do Comité Central do PCP, foi o responsável pela proposta de programa de acção que, a partir de hoje, será debatido e aprovado em Congresso.

Ao longo de 67 páginas, promete-se uma “acção mobilizadora com forte dinâmica e luta de massas” para os tempos que se vão seguir.

JA/Rede Expresso