CARLOS ALBINO

 SMS 469

Jurem , a bem de todos

A crise portuguesa começou por ser uma crise de ética. Falta de ética lá em cima, aí pelo meio e cá em baixo. E quando vai chegando o momento em que os partidos têm de decidir quais os candidatos que irão apresentar nas próximas eleições autárquicas, com uma apreciável renovação por força da lei que impede terceiros mandatos consecutivos para os presidentes dos órgãos executivos (presidentes das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia), impõe-se que se chame à responsabilidade da escolha, não os eleitores mas os partidos. O problema é que não são poucos os lados em que não há muito por onde escolher, pelo que quem chega à chefia local dos partidos é praticamente o chamado “candidato natural”. E conforme a simples grandeza do mesmo partido ou a capacidade artística deste para a propaganda, assim também as probalidades de eleição independentemente da competência efetiva e do perfil ético do candidato. Para um segundo, ou para o agora impossível terceiro ou quarto mandato, as provas sobretudo de ética terão sido mais ou menos dadas, com o eleitor a poder conceder, pelo voto, reforço de benefício ou punição. Para os casos de estreia, ninguém sabe o que daí possa sair, pois debaixo de uma pedra pode sair um lagarto.  Ora, nesta fase de escolha, os partidos são inegavelmente responsáveis pelas opções que preparam para apresentação aos eleitores. Por isso devem escrutinar rigorosamente os nomes, para que não nos venha a sair na rifa democracia alguém de quem todos se arrependam e, pior, de quem tenham vergonha. Meio-caminho andado seria que cada um dos candidatos, antes de aparecer em comícios na praça pública, pudesse prestar dentro do seu partido o seguinte juramento: “Juro, por minha honra e à prova de bala, que nunca roubei nada, que não estou a roubar e que não me preparo para roubar no exercício das funções às quais me candidato, pelo que podem piamente confiar em mim”. Todos os candidatos que os partidos por aí preparam, designadamente os elegíveis, serão capazes de fazer este juramento?

Flagrante penitência: Os governantes que venham ao Algarve para o bronzeamento, deviam ser obrigados a fazer um trajeto integral da estrada 125 e, depois, confessarem-se em Vila Real de Santo António ou em Lagos para sentirem bem a penitência que o padre lhes daria .

 

  • José Rico

    Sinceramente gostava de escrever algo sob a pertinência desta crónica. À ideia vem-me o voto uninominal, que pelos algarves é letra morta.

    A disciplina partidária conventual exarará os seus ditames, ritos e interditos. E sob o poder dessas capelinhas feitas de cumplicidades e fraternidades se projectará mais um quadriénio.

    O que irá mudar, jamais se decidirá neste rectângulo algarvio. Por aqui o vento rondará todos os quadrantes, e a modorra aquietada dormirá o sono dos justos. E a nós algarvios, o efeito da cicuta do Paço será servida q.b., em conta gotas.

    A espera da tragédia é angustiante. Todos os dias nos envolvem em pessimismos. Não há uma notícia que nos encha de felicidade. Apenas nos servem, calculada e cientificamente, a notícia de que temos que nos preparar para o pior.

    Vamos ver.