AVARIAS: Uma gralha e uma velha guerra

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Estou a ver (ao longe) num certo estabelecimento comercial um noticiário da RTP 1. A piada de ver televisão numa loja ou num restaurante é que não ouvimos, nem vemos (para quem é forte em linguagem gestual) o que se diz. Ou seja, ficamos com um espaço à nossa frente em que nos podemos pôr a imaginar coisas. Deve ter sido por isso (ou também por isso) que se inventaram as notícias em rodapé. Um belo dia há-de vir, em que notícias vão aparecer em rodapé e junto à parte superior da pantalha. Para mim andará próximo de como se apresentam os condutores de fórmula 1; com tantas marcas no fato no boné, que às tantas não olhamos pra lado nenhum. Não sei como se processa a forma como se rodapedam as notícias: são as mais importantes?, as não tão importantes para justificar um espaço longo, mas que podem entram num cantinho? Não sei. A noção que tenho é que nos tais rodapés aparece de tudo, das mais até às menos marcantes, desde que possam ser resumidas a uma linha. Por via da miniaturização surgem muitos erros; uns são simples gralhas, outros nem por isso. Em relação às gralhas, fico sempre sem saber se alguém lê o que está escrito, porque se não se dão ao trabalho, deviam. E porque muitas vezes a mesma gralha aparece várias vezes, tantas quantas a palavra em causa leva a passar num noticiário. Depois existem outras palavras que não sendo rodapé, aparecem salientadas; as que sublinham as declarações de alguém, ou alguma coisa, sobre as quais se está a fazer notícia. Sábado passado via-se (na RTP1) a informação de que existem muitos portugueses que abandonam a Venezuela, mas que ao invés de virem para cá viver se dirigem a Espanha. Ao que parece são tugas, sem qualquer laço familiar com Portugal, que preferem uma língua que conhecem e umas oportunidades que pensam ser maiores, dirigindo-se até aqui ao lado. Por acaso gostava de saber se essa malta terá frequentado o nosso consulado na terra do Maduro, fazendo o tradicional choradinho do precisar de ajuda. Mas o meu actual ponto é o seguinte: o que se lia na legenda da imagem era, “muitos portugueses que abandonam a Venezuela trocam Espanha por Portugal”. Claro que está mal escrito, não se trata aqui de trocar Espanha por Portugal, mas exactamente o contrário. Pode ter-se tratado de uma arreliadora gralha, mas não sei porquê um passarinho confidenciou-me que era muito provável que se tratasse de um erro. Isto, porque aqui não teríamos uma, mas duas – gralhas – duas: Portugal e Espanha, que estavam, obviamente, trocados.

Vi noutro dia duas grandes penalidades a favor do Sporting e do FêCêPê que mais ninguém viu, tirando o árbitro. É caso para dizer que a pressão, a boa e velha pressão sobre os árbitros, continua a dar os seus frutos. É pena no entanto, que os comentadores da treta que se atiram ao ar, quando se fala de aborrecer os senhores do apito, levem semanas a falar sobre o que dizem estar contra, fazendo, na realidade, o trabalhinho sujo que dizem menosprezar. São todos farinha do mesmo saco.

Fernando Proença

 

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