AVARIAS: Quase no Verão

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Conheço alguns dos meus defeitos: um deles é escrever vendo sempre o copo meio vazio. Paciência, para copos meio cheios consultem o presidente Marcelo, não há como ele para encontrar aspectos positivos no nosso povo. A um nível extraordinariamente diferente (talvez de um campeonato regional), também descubro coisas que nos fazem, só para lhes dar um exemplo, um dos povos mais pacíficos do Mundo. Gostei que nos pusessem no cimo da tabela desse particular, mesmo não sabendo como se faz um estudo desses, nem como chegaram a essas conclusões. Talvez que se nos tivessem dito assim: “Portugal é um dos três povos mais agressivos existentes ao cimo da Terra”, íamos logo a correr, fazendo barulho e perguntando, “que é essa merda? Onde foram buscar uma ideia dessas? Que raio de estudos andaram a fazer que faziam?”. Em relação cá ao rapaz, parece não existir grandes reparos a fazer; na dúvida critico pela negativa. E se um dia mudar, hei-de fazê-lo só um bocadinho. Por exemplo, continuo a considerar que o nosso jornalismo televisivo funciona de um modo geral de uma forma bastante medíocre. Por exemplo, ontem Sábado (escrevo ao Domingo) num dos noticiários da SIC Notícias, a notícia (desculpem-me a repetição) era sobre o treinador Vítor Pereira, que teria sido condenado – na Grécia – a oito meses de pena suspensa, por incitamento à violência durante um jogo do campeonato local. Pois a acompanhar a notícia a estação SIC apresentou um vídeo. Estamos numa altura em que nada se faz sem um vídeo, são as chamadas evidências: não existem imagens, não existem factos. O problema é que as evidências do problema de Vítor Pereira não evidenciavam coisa nenhuma. A filmagem disponibilizada pela estação era feita num estádio enorme (do Olympiakos? do AEK?, o estádio é o mesmo para os dois?), mas de cima, muito de cima, muito afastado do campo, onde não se reconhecia quem lá andava e corria. Onde estaria Vítor Pereira? No meio da confusão? Eu só via umas pessoas de um lado para o outro, junto à linha lateral, ajuntamentos que nem sequer permitiam descortinar se seriam jogadores, treinadores ou outros intervenientes. Viam-se apenas silhuetas nada mais, e isso serviu à estação que se vangloria de ser o canal das notícias por excelência, a apresentá-lo como prova de qualquer coisa. A prova de que a mediocridade está forte e se aconselha.
A próxima época de futebol está lançada: descobriram umas coisas para chatear o Benfica, o Benfica há-de arranjar qualquer coisa para aborrecer o FêCêPê, mais o Sporting. O mesmo Sporting depois descobre algo nas contas do Benfica, alguém se lembrará de luvas aos árbitros e mais tarde, quando entrar em pleno o vídeo árbitro também vão discutir a colocação das câmaras. Nada de novo na frente ocidental. A única novidade é Sérgio Conceição. Para os portistas, uma equipa constrói-se a partir do discurso do treinador. Não sei se terão razão e espero que não a tenham. Conceição prometeu uma nova era, tal como o fez Trump. Parecem-me os discursos dos comités centrais dos partidos comunistas. Conceição treinou o meu Olhanense. Que tenha muita sorte na próxima equipa que treinar.

Fernando Proença

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