AVARIAS: Chatices

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Uns dias por outros vejo o “Brianstorm” na RTP1. O único objectivo, numa lealdade destas e quando vejo muito pouco os canais generalistas, será o de me pôr a competir denodadamente com os concorrentes, tudo dentro da minha cabeça, que não costumo desperdiçar a minha grande categoria em concursos televisivos. Tudo para dizer, no fim, que se fosse eu a estar lá de corpo presente, outro galo cantaria. Não serei muito diferente daquele maduro que joga ao Sábado à tarde no Inatel e depois, vendo um golo perdido por Ronaldo de baliza aberta é capaz de afirmar que, com ele, a bola tinha entrado, encostada com a barriga da perna. Afinal somos todos atletas de bancada. No entanto, este meu pequeno apontamento, tem o intuito de realçar a discordância em relação a algumas perguntas que têm sido feitas na categoria de “Geografia”, e que na minha modesta perspectiva (característica que me é dado possuir), configuram um erro de palmatória. Perguntar onde se situa hoje a cidade que originalmente se chamava Ólissipo ou Conímbriga, é História e não Geografia. A Geografia pode socorrer-se do passado, mas por acaso, este não é o seu objecto de estudo. Pode ter-se dado o caso de terem esgotado todas as perguntas, andando agora, os responsáveis, a rapar o fundo ao tacho. Só que se trata do tacho errado.
Li que Cristiano Ronaldo almeja (o que eu andei para chegar a esta palavra…), chegar à sétima bola de ouro e ao sétimo filho. Sempre achei (eu e mais dois milhões de pessoas) que por detrás daquele madeirense talentoso existia uma mente obsessiva e, às tantas não me devo ter enganado. A menos que se tenha um super talento natural como o de Messi, só se pode ser um jogador ganhador de tantos troféus, pensando em nada mais além de treinar até cair para o lado de cansaço. Finalmente percebi (ou penso que percebi) o significado de número sete na camisola; número sete, sete filhos, sete troféus. E como o caso do ovo e da galinha e de qual dos dois nasceu primeiro, lembrei-me que com Ronaldo a escolha do sete na camisola terá antecedido o pensar em conquistar sete bolas de ouro e ter sete filhos, ou será uma ideia a posteriori? Se não ocorreu nenhuma das situações anteriores, e tudo não passou de um acaso (que ele seguirá como um ditado), então tenho a declarar que ainda bem que o nosso menine d’oure não joga com a camisola quinze ou vinte (e estou a ser meigo): para não dar em maluco a pensar na vida.
Escrevi neste espaço que a questão do vídeo árbitro, traria mais chatices que vantagens. Já se verificou que não resolve praticamente nenhum dos problemas principais e cria mais dois ou três, em situações em que, até agora, eram razoavelmente pacíficas. Os comentadorezinhos da treta que se entretêm a perorar sobre os malefícios do futebol português, deviam olhar para onde estão metidos e o efeito que isso tem sobre a ululante massa adepta dos três grandes, mas andam demasiadamente entretidos com o próprio umbigo e carteira. Um jogo da taça em que entrem Sporting, Benfica o FêCêPê, tem direito a ter todas as jogadas principais vistas à lupa durante uma semana, várias horas por dia, vezes sem conta, nos vários canais de desporto, e não só. Depois dizem que as massas andam incendiadas. Não vejo por que razões.

Fernando Proença