AVARIAS: Ainda e sempre o jornalismo +1 equívoco

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Sou perfeitamente insuspeito (não sou, mas há piores), mas não consigo perceber a protecção que os nossos canais generalistas dão a Passos Coelho e a Assunção Cristas. Podem procurar nos noticiários, com uma lanterna, uma notícia, só uma, para não dizerem que estou a ser parvo, que não seja tempo de antena dos respectivos personagens da política. Dos outros fala-se constantemente, do que dizem versus o que fazem, do que deviam ter feito, ou seja existe uma opinião constante sobre números, estatística, perspetiva de futuro para as suas ideias, e formas de lá se chegar. Então se estivermos a ouvir comentadores, vou ali e já volto: tudo é escrutinado, visto e revisto. Não se ponham com merdas de que sou um perigoso comuna, sempre pronto a defender a estimada coligação esquerrrrrdista, como lhe chama Nuno Morais Sarmento. O ponto que defendo é um pouco diferente: os jornalistas devem fazer, o que em geral fazem. Em relação ao governo e respectiva base de apoio: serem chatos na tentativa de pôr em cheque António Costa. É certo que muitas vezes se aconselham mal. Por exemplo, um jornalista armado de inteligência e segurança, era capaz de, sem grande esforço derreter o Ministro da Educação enquanto o diabo esfrega um olho. Voltando à vaca fria: com a Cristas e, principalmente com o senhor Coelho, é que nada de novo na frente ocidental, nem uma cartinha nem um telefonema, como a anedota. A noticia diária sobre Coelho é invariavelmente o senhor que-ainda-se-pensa-primeiro-ministro, a perorar (em grande estilo, numa reunião com militantes do partido) sobre as fragilidades do governo e principalmente sobre os bons resultados da economia, que ele defende, devem-se primeiramente a tudo o que fez; ele e mais os restantes ministros do seu governo, com a Dra. Maria Luís Albuquerque à cabeça. Quem o ouve (a debitar o que quer, sem contraditório), pensará que Pedro Passos Coelho terá chegado de Marte na nave espacial das cinco e cinco. Parece que grande parte de todo o de mal que passámos não o foi feito com a sua interferência e mando. Bota-se uma esponja sobre o assunto e já está. E continuará a aparecer, leve, fresco e impoluto, se os jornalistas persistirem em fazer que não percebem e que não podiam fazer as coisas de outro modo, perguntando, por exemplo sobre o seu governo – que ele, obviamente, quer fazer esquecer.
Estamos submersos pelas eleições francesas. O que sair de lá – se aleita for Le Pen – pode trazer um problema muito grave para toda a Europa e principalmente para nós portugueses. A ideia, estúpida, que tenho ouvido de alguns dos nossos emigrantes é de que nós somos muito bem considerados e que votar na senhora será um acto normal. Nada como um português para calcar quem está abaixo de si na escala social. Contam que os judeus que viviam prosperamente na Europa Ocidental, terão despreciado as notícias que lhes chegaram dos primeiros massacres perpetrados a leste pelos alemães, na segunda guerra mundial. Pensavam-se superiores e que o mal nunca lhes chegaria, e que apesar de serem brutalizados e maltratados, nunca passariam abaixo de uma breve dor de cabeça. A dura realidade veio demonstrar quanto estavam enganados.

Fernando Proença

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